Monday, August 07, 2006

III – Judeus, sem pátria


Como já foi dito, Jesus Cristo nasceu na Palestina, ocupada pelos Romanos.
Augusto reinou de 31 a.C. até 14 d.C.
Cristo foi acusado de querer ser o Rei dos Judeus e, por isso, por ser considerado um judeu rebelde e que não queria colaborar no endeusamento do César dos Romanos, foi condenado por Pôncio Pilatos a ser pregado numa cruz, o que constituía a maior humilhação para a época.
Esta cruz de vergonha e sofrimento passou a ser o símbolo do novo ensinamento e passou a ser anunciado através do Evangelho, ou Boa Nova (tradução do grego eu-angelion, ou Evangelho). Ter presente que os escritos que constituíam o Antigo Testamento já tinham sido levados para a Grécia e lá traduzidos.
Esta Boa Nova passou a ser a base do Cristianismo. Deus, que é Pai – símbolo de compaixão pelos pobres e oprimidos.
Este Deus único e invisível era o mesmo em que os Judeus já acreditavam antes de Cristo.
Por adorarem um Deus diferente que os próprios Césares dos Romanos, quer os Cristãos quer os Judeus passaram a ser severamente punidos pela lei Romana.
Alguns anos depois do reinado de Nero, estalou em Jerusalém uma revolta contra os Romanos. Desta revolta resultaram lutas sangrentas entre os habitantes de todas as cidades judaicas e as legiões romanas. Após vários anos de fome e cercos, os Judeus foram expulsos de Jerusalém (os que escaparam da crucificação e dos massacres), e assim começou a sua saga, espalhados pelos quatro cantos do mundo, ficando, a partir daí, sem pátria.
Mantiveram, apesar de dispersos pelo Mundo, as antigas tradições judaicas, liam a Bíblia e passaram a distinguir-se dos Cristãos pelo facto de manterem a crença que o Messias que os havia de salvar ainda não tinha chegado, o que acontece até aos dias de hoje.
Passaram a dedicar-se ao comércio e à finança, actividades em que se tornaram exímios e ainda hoje os destacam da maior parte dos povos.(1) (2)
Na Diáspora, tiveram que suportar muitos rancores e incompreensões, sofreram os horrores do fanatismo da Inquisição da Igreja Católica, foram expulsos e espoliados de Portugal e outros países e, mais recentemente, foram massacrados aos milhões pelos Nazis no decorrer da II Guerra Mundial. O Holocausto existiu!
A época pós II Guerra Mundial será tratada em capítulo destacado dado ser uma época determinante na evolução vulcânica de toda a zona do Médio Oriente actual e na orientação estratégica das políticas internacionais de vários países, com influência decisiva na vida económica, social e religiosa de toda a humanidade.
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(1) Tiveram mesmo de se dedicar a essas actividades, nos séculos passados, pois era-lhes negada a posse de quaisquer propriedades ou o exercício de profissões liberais; ademais, sendo forçados a viver em ghettos.
Alda Maia (ver comentário)
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(2)Também a prática bancária foi abraçada pelos judeus pelo facto de não estarem sujeitos às regras da Igreja Católica que proibia a prática da usura. Tal facto levou a que muitas vezes fossem vistos como aqueles a quem se devia dinheiro, facto esse explorado até à exaustão, por exemplo, pelas ideias racistas do século XX, nomeadamente o nazismo.
Portugal, depois da expulsão dos judeus, no reinado de D. Manuel I, não só expulsou o único grupo com capacidade económica para financiar os descobrimentos, como expulsou grande parte da elite intelectual do país e que tinha tido um papel fundamental nas viagens além-mar. Quem beneficiou com isso foi a Holanda, potência que, não por coincidência, se viria a impor no século XVII.
"Tozé Franco" (Ver comentário)
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Imagem acima:
O judeu errante, pintura de Gustave Doré
O Judeu Errante é um personagem mítico, que faz parte das tradições orais cristãs.
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(continua)

8 comments:

Alda M. Maia said...

Tenho lido, com interesse, esta sua digressão pela história judaica. Excelente iniciativa.
Posso acrescentar um suplemento ao seu parágrafo onde diz: "(...)passaram a dedicar-se ao comércio e à finança, actividades em que se tornaram exímios"? Perdoa-me o atrevimente?
Tiveram mesmo de se dedicar a essas actividades, nos séculos passados, pois era-lhes negada a posse de quaisquer propriedades ou o exercício de profissões liberais; ademais, sendo forçados a viver em ghetos.
Acho muito interessante "Gatimanhos" e já de lá "roubei duas ou três fotos... mas isto deveria dizê-lo, directamente, à D. Zaida.
Um abraço amigo a "ambos e dois"
Alda

Alda M. Maia said...

Ghettos, com dois tt.Podia muito bem ter escrito a palavra em português, o que seria mais indicado, visto que já faz parte do nosso vocabulário!
Isto de se falar e pensar nas duas línguas, sabe, cria-me destes tropeções.
Alda

asn said...

Muito obrigado pelos comentários que aqui deixou, Alda.
Como já disse algures, se bem me lembro, não pretendo ensinar nada a ninguém, esta informação está disponível por muitas formas.
Acontece, muito simplesmente, que já há muito tempo que andava um tanto baralhado com toda esta embrulhada do Médio Oriente e das consequências de nuitos fundamentalismos na vida do homem em sociedade.
Simplesmente deplorável e terrível a cegueira com que se têm vindo a encarar situações que deveríamos ser capazes de resolver duma forma muito mais pacífica.
Lancei-me ao estudo e o resultado estou a sintetizá-lo e, porque não, a partilhá-lo com quem nisso vir algum interesse. Por mim falo. Anda por aí muita ignorância e às vezes pomo-nos a dar a nossa opinião, todos convencidos, e não fazemos ideia nenhuma dos factos históricos que têm vindo a determinar muitas das atitudes de povos (quantas vezes eles próprios manipulados pelos seus oreintadores quer espirituais, quer interesseiros economicamente; a brincar com a ignorância e boa-fé das pessoas...).
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Se entender já pode consultar de novo o blogdosradioamadores.blogspot.com que o link da carta já está a funcionar.
Uma grande abraço cordialíssimo
António

Tozé Franco said...

Também a prática bancária foi abraçada pelos judeus pelo facto de não estarem sujeitos às regras da Igreja Católica que proibia a prática da usura. Tal facto levou a que muitas vezes fossem vistos como aqueles a quem se devia dinheiro, facto esse explorado até à exaustão, por exemplo, pelas ideias racistas do século XX, nomeadamente o nazismo.
Portugal, depois da expulsão dos judeus, no reinado de D. Manuel I, não só expulou o único grupo com capacidade económica para financiar os descobrimentos, como expulsou grande parte da elite intelectual do paí e que tinha tido um papel fundamental nas viagens além-mar.Quem beneficiou com isso foi a Holanda, potência que, não por coincidência, se viria a impor no século XVII.
Peço desculpa pelo espaço ocupado, mas muito fica ainda por dizer.
Um abraço.

citadinokane said...

Informação na medida certa.
Um abraço,
Pedro

asn said...

Caros amigos em geral
Como já se devem ter apercebido não sou expert em História.
Aquilo que aqui deixo escrito é a minha síntese possível nas condionantes dum blog.
No entanto, digo-o sinceramente. Quem me dera a mim e a todos nós, concerteza, que mais e mais informações complementares pudessem aqui ficar registadas.
Agradeço sinceramente todos os contributos. É como diz o "tozé franco": Tanta coisa que fica por dizer...mas estou a ficar menos confuso. Não há nada como uma dose de informação concentrada, intensiva e objectivamente direccionada, para se desfazerem alguns equívocos e confusões que nos acompanham ao longo de anos e anos...
Um grande abraço.

zehelmer said...

Obrigados!

Apre(e)ndi bastante e ajudaram-me a encontrar explicações que me faziam falta para entender melhor (ou menos mal) toda esta confusão de povos / religiões / vinganças / interesses / mistificações / ...

E... claro: andam umas certas "coincidências" Hertzianas no ar... hehehe

AMistosos cumprimentos

zehelmer

Anonymous said...

Excellent, love it! » »