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Wednesday, December 12, 2012

Memórias de Leiria, de Viseu e outras...



No seu livro “As Minhas Memórias – Leiria . 1909-1939”, Raul Faustino de Sousa, em dado passo, escrevia:
(…)
Em Junho de 1935, o Órfeão de Viseu visitou Leiria, conforme já foi referido.
No mesmo ano, em 26 de Junho, Leiria e o seu Orfeão foram a Viseu em agradecimento da visita a Leiria. Demos passeios maravilhosos, houve almoço no Parque do Fontelo, visita às Caves de Viriato, e outros pela cidade, e, à noite, o espectáculo num teatro enorme, deixando óptimas impressões a todos, O Orfeão de Viseu acompanhou-nos em cortejo até à Estação do C. Ferro, e fez despedidas com um hino, que foi retribuído com outro hino, dos de Leiria.
(…)
Pág. 114

Deixo agora esta referência particular por aqui se falar duma ida a Viseu (a minha terra natal), em anos tão longínquos, e se evocar a existência de um “teatro enorme”.
Provavelmente seria o Teatro Avenida, na Av Emídio Navarro, no centro da cidade de Viseu. Não me dei ao trabalho de indagar das hipóteses de se poder tratar também de outro Teatro de Viseu, o Teatro Viriato, uns 200 metros mais acima na mesma avenida.

Pode ser que algum dos meus leitores de Viseu me possam dar alguma dica. Quem sabe não estará ainda alguém vivo, dessa época, e que se lembre deste facto?

Sem dúvida, Raul de Sousa, Viseu já nessa altura era uma cidade de valor e mérito cultural de relevo!
Para além de ter esses dois pontos de extraordinário interesse turístico e ambiental:
Um, o Parque do Fontelo (onde cheguei a participar num acampamento da Mocidade Portuguesa; não dormi quase nada com os gritos estridentes e caraterísticos dos pavões durante toda a noite). Talvez aí pelos anos 1958/9.
Cheguei a ser chefe de quina (não me envergonho desse facto, nem sequer imaginava do significado perverso que, mais tarde, veio a ser dado à existência dessa instituição!) e a tropa é que nos forneceu a alimentação no acampamento, com cozinha montada no local e tudo. Lembro-me que foi uma experiência muito emocionante para a ganapada da altura.
 Outro, a Cava de Viriato (*)nessa altura, não deveria ser muito diferente do que era quando eu, muitos anos mais tarde, brinquei aos espadachins com espadas improvisadas com os ramos das mimosas que abundavam por ali.
Quantas horas não passei naquela zona a estudar em voz alta, horas a fio, que assim é que me sabia bem!

E a estação do Caminho de Ferro? Estaria, hoje, em pleno centro da cidade, ali muito perto do recinto da feira franca de Viseu, que se realiza todos os anos em Setembro, e que constitui um dos grandes certames do género em Portugal. Grandes jogatinas de matraquilhos com moedas de 2 tostões ou com algumas chapas à medida para endrominar o comando de descarga das bolas! E aquelas enguias em barril? E os carrinhos de choque, em pista em Ó alongado? E as projeções de filmes de corrida de fórmula um, do tempo do Fângio? E o fogo de artfício preso com o ciclista e outras figuras?

Obrigado à editora Textiverso, que, em conjunto com o Arquivo Distrital de Leiria e o apoio da Caixa Agrícola de Leiria, editou este livro a que me tenho vindo a referir há já uns registos atrás e que tão gratas recordações me trouxe, com este bocadinho do texto manuscrito e guardado nessa forma durante tanto tempo! 
Agora dado à estampa através desta edição!

Obrigado Leiria, por me teres acolhido, duma forma tão íntima e duradoura! Desde o já longínquo ano de 1966, chegava eu para exercer o cargo de professor do 6º grupo na Escola Industrial e Comercial!  Um miúdo, a enfrentar a sua primeira experiência profissional, à espera de ser chamado para a "guerra"! 
Que anos aqueles! 
Que juventude de luta pela vida! ...

Dentro de ti, ó Leiria, tenho-me sentido perfeitamente, em casa!

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Ver capa do livro e mais anotações aqui

Sunday, May 22, 2011

Hino de Leiria: Canção do Porvir



(clic para ampliar e ler a letra.) 
Hoje, 22 de Maio, Dia de Leiria
É sempre com incontida emoção que ouço esta belíssima canção de consagração da Histórica, sempre bela e romântica, cidade de Leiria. Que vai ser, estamos seguros, o principal foco de irradiação do desenvolvimento de toda a zona Centro-Oeste de Portugal. 

Acompanhei o Orfeão de Leiria, nos anos 70/80, em inúmeras actuações, nos mais variados sítios. Que emocionantes recordações retenho desses tempos! O maestro Guy Stoffel, que mais tarde também acompanhei no Ateneu Desportivo de Leiria, era um excepcional homem da música e humanista. Desses coros, mistos, fazia parte a minha mulher Zaida, a minha filha Inês e muitos e extraordinários e dedicados orfeonistas, dos quais terei de destacar o meu grande amigo, director e dinamizador da Associação, que foi, o Zé Neto, José Ferreira Neto. Morreu, ainda jovem, num brutal acidente de viação, na EN1, actual IC2.
Gravei dezenas de horas de interpretações do Orfeão. Ainda em formato Beta/VHS. Todas essas gravações   desapareceram, após um infeliz empréstimo das cassettes...
Quantas vezes não gravei a "Canção do Porvir", pelos vistos as gravações amadoras que existem são de qualidade deficiente, o que não é de espantar. De qualquer modo, há gravações em disco, disponíveis.
Mas não é a mesma coisa!...
Bem me lembro de algumas das figuras do orfeão (retidas na minha memória através da objectiva da máquina de filmar), na última fila, a "torre" que era o Zé Neto, atrás dos seus célebres óculos, super-graduados!
Quantas saudades, Zé Neto!... (valerá a pena seguir este link)
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João Cabral, no vol III dos seus "Anais do Município de Leiria", ed. 1993, escrevia a pp 195, frisando que Leiria se reconhece como meio artístico de forte relevância em todos os campos da arte.
E acrescentava:
Um dos momentos mais altos do Orfeão de Leiria e da Orquestra foi a viagem a Viseu em 26.6.1935, em cujo Teatro se apresentaram sob a regência de F. Cabral e que foi um êxito extraordinário.
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Não há que admirar estar a dar a devida relevância a esta passagem dum dos trabalhos de maior envergadura e de pioneirismo na investigação e registo histórico dos factos, instituições e personalidades mais significativas  de Leiria.
Nasci em Viseu em 1947. 
Vim para Leiria em 1966. Cá fiquei...talvez para sempre!...