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Tuesday, April 23, 2013

Bom dia!...

Hoje, do lado de cá, ao nascer o dia, já a gatinhar bem!...


RAIZ

Por que vivo? Que força, calma, essência
me faz sentir, pensar, me faz querer?
Por que motivo tenho a consciência
dos atos que pratico e do meu ser?

Qonde começa e acaba uma existência?
Por que me sinto e dão esse prazer?
Que vem de ser vontade e inteligência?
Onde existiam antes de eu nascer?

A minha vida.. Que é a minha vida?
Sei que proveio de outra vida igual,
mas esta e a outra quem a gerou também?

E mais, e toda a série indefinida
de que fonte brotaram? Foi do Mal?
Vejo-o mais claramente do que o Bem!

Acácio de Paiva
1863-1944
@as-nunes

Sunday, April 21, 2013

Acácio de Paiva, Acácio de Paiva. ...

Caros amigos bloguistas que comigo têm "privado", com muito gosto da minha parte, claro está!

Desculpem lá a minha ausência... entrecortada com alguns registos esporádicos em que falo praticamente só de Acácio de Paiva!...

- Os ovos dos pintassilgos estão quase a eclodir. Espero deixar aqui uma reportagem a preceito!...

Obrigado pela vossa paciência!...


Acácio de Paiva e amigos, aí pelos anos 30?!
@as-nunes

Thursday, April 18, 2013

Coração de mulher... em Abril: mais uma "Fita da Semana" de Acácio de Paiva...


À atenção da Marinha Grande:

Eis a forma, como num distante mês de Abril, num dia dos idos anos 30 do século passado, «Fitava» Acácio de Paiva, lídimo poeta Leiriense, como bem deveis saber e conhecer da sua poesia:

Coração de mulher 
(titulo eu, que o autor não se dava a esse trabalho… escrevia em verso uma Fita por Semana e pronto. ..
Fama e proveito pelo que escrevia? Tanto se lhe dava... como se lhe deu!..”.

Aqui nasceu Acácio de Paiva
1863-1944

II
Passo adiante, mas não largo o assunto
Sem lhes dizer que na Marinha o hotel
Se não é dirigido por Vatel
É por Vatel há muito ser defunto.
Só lhes digo que havia entre os manjares
Um doce, julgo eu, de claras de ovo,
Alvo como as toalhas dos altares
E capaz de fazer subir aos ares
    Clero, nobreza e povo!
    Era renda, era espuma,
Uma carícia de anjo, uma esperança,
Uma quimera, um beijo de criança,
    Era um amor, em suma!
E, para mais encanto, a criadinha
Que serviu ao jantar (a mais gentil)
    Das «sopas» da Marinha,
Fresca como um botão no mês de Abril,
Que uma abelha cobiça mas não fere)
Quando, sorrindo, a sobremesa trouxe
    Disse o nome do doce:
    «Coração de mulher»!
Estão a ver como o comi então:
Tomei-o, com respeito, na colher,
Rezei-lhe mentalmente uma oração
E meti-o na boca perturbada
Como quem mete a hóstia consagrada
No dia da primeira comunhão!
Coração de mulher! Ficai sabendo,
Senhoras minhas, quando me enganardes,
Que não castigarei o crime horrendo,
Pois que os enamorados são cobardes,
     Mas que peço à servente
A receita do doce, e ao chá das cinco,
     Voluptuosamente
     O coração vos trinco!

In “Fitas da Semana”,  Diário de Notícias de então…  entre 1934-1938.

@as-nunes

Sunday, April 14, 2013

ACÁCIO de PAIVA - 150 anos do seu Nascimento


Numa altura em que o jornal de Leiria em que chegou a colaborar com inúmeros poemas sob o pseudónimo "Belarmino", "O Mensageiro", está em vias de ser encerrado, fechando-se um ciclo de 100 anos de atividade editorial na promoção dos valores católicos e da Região de Leiria, talvez seja oportuno publicar, aqui, nesta data comemorativa, o seguinte soneto:

Fazer um Jornal

Em muita gente é crença radicada
Que o trabalho que faz o pensamento
É simples, é brinquedo dum momento,
Que vale muito pouco ou mesmo nada…

Falsa suposição! É empreitada
Como, às vezes, erguer um monumento.
E a pena, à mão que a põe em movimento
Pesa mais, em geral, do que uma enxada.

Sabeis lá o que a folha mais barata
Representa de esforços, de canseiras,
De esgotamento que enfraquece e mata!

Crede: é mais fácil rebentar pedreiras,
Cavar bacelo ou carregar batata
Que escrever duas linhas sem asneiras!

Acácio de Paiva
Nasceu em Leiria (Casa “Pharmácia Paiva”)  em 14-4-1863
Morreu na sua casa do Olival ( Casa das Conchas) em 29-11-1944

-

em tempo:
Pode ler-se uma notícia completa no semanário "Região de Leiria" de 11 de Abril de 2014, pp 12, acerca do novo projeto editorial em substituição dos jornais da diocese de Leiria-Fátima, "O Mensageiro" e "A Voz do Domingo".

@as-nunes

Saturday, April 13, 2013

ACÁCIO de PAIVA: Poeta de versos atirados aos ventos...


Estas flores, o lírio azul e a rosa branca, colhi-as eu, hoje, no meu jardim, com a minha máquina fotográfica.

Acácio de Paiva, já o conhecem certamente, nem que seja por o terem lido citado aqui, neste blogue, nasceu em 14 de Abril de 1863. Ainda ontem aqui o referi.
Faz, portanto, amanhã, 150 anos que nasceu, em Leiria, no edifício "Pharmácia Paiva"...

Estive ontem, no Arquivo Distrital de Leiria, a rever documentos, muitos manuscritos, com muita poesia ao seu modo: repentista, lírica, bucólica, quantas vezes irónica e satírica...

Nalguns casos, consegue-se ler, com dificuldade, os seus múltiplos poemas, muitos no estado original e virgem, sem mais revisões, tal como saíram na altura.

Um desses poemas, em excerto, versa assim:

Versos de Tânger

Abril chuvoso em flor...de rosa e branco
Vestem agora todos os pomares.
Selo o cavalo, monto a trote franco
Corro Bubãna, atalhos e aduares.

Lírios azuis - os últimos - a graça,
A glória d´estes campos e planuras
Florescem d´entre a erva verde escassa,
Rosa, que todo o inverno foi securas.
...
Como é saudoso este morrer do dia,
E como é triste a voz do muezim,
Que saudade e que pranto que desfia
Como me atrista e me comove a mim!
(...)

( Escrito em Tânger
Provavelmente quando fez parte duma Legação de Portugal (talvez ligado às Alfândegas, que não consegui clarificar).

Corria a segunda década do século XX...
@as-nunes

Friday, April 12, 2013

ACÁCIO de PAIVA - Altíssimo Lírico e o maior Humorista da Poesia Portuguesa

Acácio de Paiva nasceu a 14 de Abril de 1863.
Vão fazer precisamente 150 anos!
Alguém se lembrou dele?
Não tenho conhecimento de nenhuma iniciativa para comemorar oficialmente esta efeméride!
Acácio de Paiva é, reconhecidamente, um dos maiores poetas líricos e satíricos da Literatura Portuguesa!

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 O Tojo

Porque me fez cruel a natureza,
O tojo diz, é alma da floresta,
E não me concedeu, como a giesta
E mais irmão que tenho a macieza?

Não pode por carícia (que tristeza!)
Diminuir a dor que me molesta,
Pois que por condição, e bem funesta,
A quem me toque eu firo, com dureza.

Pés descalços, de carne preciosa,
Se atravessam os matos dos caminhos
Eu tenho de os rasgar, alma impiedosa,

E tanto desejaria que os espinhos
Se trocassem por pétalas de rosa
Quando os pisam crianças e velhinhos!

  Acácio de Paiva


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A LÍNGUA PORTUGUESA

Assim como onde tem maior pureza
A linfa, é na mãe de água, por ventura
Assim também na aldeia é que é mais pura
A minha amada língua Portuguesa.

Na sua elegantíssima rudeza
Como nos seus extremos de doçura
Todos os pensamentos emoldura
Numa espontânea e artística beleza

Oiço-a forte, nas feiras, discutindo;
Nos serões oiço-a meiga namorando…
E é sempre um trecho de poema lindo

Aqui soberbo, além risonho e brando,
Porque é de Portugal o mar bramindo
E é também o nosso rouxinol trinando

ACÁCIO de PAIVA
-
 (No momento em que eu, no Arquivo Distrital de Leiria, enquanto a recolher (quantas consultas????) dados para completar a escrita de um livro sobre Acácio de Paiva...
Desculpem qualquer erro gramatical, que será de minha responsabilidade, pela pressa com que escrevi e publiquei...)

em tempo:
1- O fotocopiador do arquivo não está operacional;
2- não se podem fotografar documentos;
3- As digitalizações que se queiram, levam uma semana, pelo menos.

Razão de ter digitado estes dois sonetos.   Ficam já aqui...

Boa tarde a todos.

@as-nunes

Saturday, August 11, 2012

LEIRIA: Rota dos Escritores em Leiria

 Mais pormenores se podem consultar seguindo este link da Câmara Municipal de Leiria.

Lá em cima, a caminho do Castelo, já na designada Av. Ernesto Korrodi, uma lápide evocativa da presença de Miguel Torga em Leiria. O nome desta avenida invoca outra figura ilustre que marcou indelevelmente esta cidade, com os seus múltiplos e  geniais trabalhos  de arquitetura, nos princípios do séc. XX.
 No jardim Luís de Camões, junto à estátua ao Pastor Peregrino, uma figura intimamente ligada à obra de Francisco Rodrigues Lobo.
O eterno rio Lis...


Com ponto de encontro no Centro Cívico: Edifício Praça Eça de Queiroz e Largo da Sé, teve lugar em Leiria, a 2ª Rota do Escritores em Leiria.

Fez-se uma visita guiada por 28 pontos relacionados com a história da cidade entrelaçada na vida em Leiria dos seguintes escritores portugueses:

Francisco Rodrigues Lobo
Eça de Queiroz
Acácio de Paiva
Afonso Lopes Vieira
Miguel Torga
(seguir links que reportam a estes escritores e à sua ligação a Leiria)

Foram cerca de três horas, a percorrer a pé, praticamente todo Centro Histórico de Leiria. Pura magia!

E falou-se dos escritores. E falou-se muito do significado desses pontos onde parávamos para ouvir as informações que nos eram prestadas e, não raramente, participávamos em amenas cavaqueiras a propósito do interessante tema que nos juntou. Pessoas de fora de Leiria estavam em maior número. À volta de 30.
Foi  muito gratificante ter conversado com essas pessoas e trocarmos impressões sobre tão ilustres escritores e a sua ligação pessoal com a cidade de Leiria.


Os guias, funcionários da Câmara de Leiria, na área da Cultura, foram inexcedíveis em dedicação e profissionalismo. É justo deixar aqui os seus nomes: Isabel Brás e Miguel Narciso.



Podem-se ler muitos poemas e outras referências seguindo links neste blogue e/ou através da consulta das etiquetas por temas.

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Bom fim de semana a todos quantos aqui aportarem.
Amanhã, Domingo, vou até Viseu...

@as-nunes

Thursday, May 31, 2012

ACÁCIO de PAIVA - Uma evocação em Leiria


Aspeto do interior do Mercado de Santana, Centro Cultural, gestão da Câmara Municipal de Leiria,
A mesa da tertúlia  no Mercado de Santana
 Fernando Quiné, Rui Quiaios e Zaida Paiva Nunes
António Nunes e Paulo Moreiras(*)
António Nunes (até me fizeram uma entrevista e tudo...penso que aos outros intervenientes da mesa, também...) e Zaida Paiva Nunes
Superiormente coordenada por Rui Quiaios, teve lugar, no Mercado de Santana, uma conversa informal acerca de Acácio de Paiva, a sua vida e a sua obra.
A assistência não se pode dizer que tenha sido muita, talvez algumas pessoas tenham optado por ter ido ao Teatro José Lúcio da Silva ouvir o concerto de David Fonseca.
De qualquer modo saímos todos satisfeitos , nomeadamente o carteiro, Fernando Quiné, que, com muita classe se desembaraçou do seu papel de carteiro que anda a pôr a entrega de correspondência em dia, mesmo que tivesse sido uma carta de Júlio Dantas para Afonso Lopes Vieira a apelar a este para que pudesse sensibilizar Acácio de Paiva a animar-se face à sua desilusão por os Leirienses não terem correspondido ao lançamento do seu único livre "Fábulas e Historietas".

E neste ambiente de amena cavaqueira lá se passou o serão em tertúlia evocando-se o ilustre poeta, prosador, crítico literário, cronista de «costumes e acontecimentos», já anteriormente evocado o quanto baste para aqui ficar registado, de seu nome "ACÁCO de PAIVA
Um dos Leirienses que mais projetou Leiria e as suas gentes e que, pode-se dizê-lo, tem sido um "Ilustre desconhecido" na sua terra natal, que tão bem cantou e tanto amou!...

Abordaram-se temas interessantes da vida e obra de Acácio Paiva e disse-se muita poesia. 

Honra à sua memória!...

Pela minha parte prometo tudo fazer para que uma Antologia o mais completa possível de Acácio de Paiva possa vir a lume nos próximos tempos.
-
(*) Autor do recente Romance histórico "O Ouro dos Corcundas", a saga de um herói anónimo que, por amor, mudou a História de Portugal. Ed. casadasletras - 2011
http://az-bibliotca.blogspot.pt/2012/06/1763-o-ouro-das-corcundas-de-paulo.html
- Fotografia de Inês Paiva Nunes
@as-nunes

Wednesday, May 30, 2012

Júlio Dantas na vida de Acácio de Paiva


Nas minhas buscas incessantes à procura de informações sobre factos ou personalidades que tenham alguma ligação, ainda que ténue, com Acácio de Paiva (tenho-o evocado insistentemente nestes últimos tempos), encontrei o livro "Júlio Dantas - Uma vida*Uma Obra*Uma Época" da autoria de Luis de Oliveira Magalhães, ed. Romano Torres, de 1963.

Comprei-o há uns anos num alfarrabista de feira das velharias, por 1 €uro, em Monte Gordo.


Acontece que a vida de Acácio de Paiva se cruzou com a de Júlio Dantas em várias ocasiões, particularmente, nas suas atividades literárias, jornalísticas e do Teatro de Revista do princípio do século passado.
Oliveira de Magalhães era também crítico teatral e amigo pessoal de Júlio Dantas.


Quer Júlio Dantas quer Acácio de Paiva  escreveram em parceria com Ernesto Rodrigues, várias peças de teatro, designadamente, "A Santa Inquisição" em março de 1910 e "Sol e Dó", em 1909.
De relevar a importância da ação de Ernesto Rodrigues na renovação do Teatro de Revista na fase de transição para a I República, particularmente através do movimento "A Parceria" (1912-1926).


A partir de Julho de 1916 Acácio de Paiva substituiu Júlio Dantas na "Crónica do Mês" na célebre e histórica revista "Illustração Portugueza", mantendo, em simultâneo a responsabilidade pela manutenção de "O Século Cómico" como seu Diretor, incorporada na IP por necessidades de gestão do papel que escasseava por causa da I Guerra Mundial.



Muito mais haveria a escrever (ler também "O Teatro de Revista e a I República - Ernesto Rodrigues e A Parceria (1912-1926)).


Em jeito de apontamento, julgo ter interesse a seguinte passagem do livro de Oliveira Magalhães acima referido:
(...)
"passou, pouco depois, pelo Correio da Manhã(**); estudante ainda, chefiou a Renascença; tornou-se, mais tarde, assíduo colaborador da Imprensa periódica; hoje uma, amanhã outra, todas as secções de que se compõe um jornal, desde o artigo de fundo ao folhetim, desde a crónica à crónica mundana, desde a crítica literária à crítica artística, desde o suelto à gazetilha, se lhe tornaram familiares; e se reunisse toda a colaboração dada por ele aos jornais, durante mais de sessenta anos, quantos volumes, verdadeiramente enciclopédicos, se arescentariam à sua ficha bibliográfica! Uma parte dessa colaboração foi, é certo, reunida em volume e ainda bem que o foi..."
(...)


Infelizmente, ainda que Acácio de Paiva tenha feito um percurso no Jornalismo muito parecido com o de Júlio Dantas, as suas famosíssimas "Fitas da Semana" com que semanalmente, no Diário de Notícias, fazia sorrir Portugal inteiro com os seus dotes prodigiosos de artista e de improvisador, para além das inumeráveis poesias humorísticas e dos mais diversificados estilos literários,  ficaram sem conhecer a perpetuidade da publicação em livro. O que é uma grande falha que está a ser de difícil resolução até porque Acácio de Paiva assinava muitos dos seus trabalhos com pseudónimos, alguns que até ele próprio os esqueceu.
Valha-nos que, em sua vida, ainda publicou um livro, "Fábulas e Historietas", chegando, assim, com relativa facilidade, ao nosso conhecimento. Por sinal a sua publicação passou despercebida em Leiria, o que muito desiludiu o seu autor.


Júlio Dantas (*) chegou a escrever a Acácio de Paiva demostrando o seu apreço pelo trabalho multifacetado que vinha desenvolvendo.
...

(*) (Lagos, 19 de Maio de 1876 — Lisboa, 25 de Maio de 1962 (86 anos))
(**) do Brasil.

@as-nunes

Monday, May 28, 2012

Conciliação difícil...mas não impossível, como se pode ver



O meu mundo nestes últimos dias tem-se cingido a umas espreitadelas para a Sra. do Monte, a nascente...

Aproveitando esta pausa nas contas para o fisco:
-


AUGUSTO GIL

Amigo: um bom soneto não tem graça
consagrado a poeta assim perfeito;
vou, pois, fazê-lo com cuidado e jeito
a ver se por estranho, agrada e passa.

Forçada a rima, indefinida e baça,
cadência frouxa, que é maior defeito,
tudo produzirá tão mal efeito
que talvez desse modo satisfaça.

As quadras já lá vão. É nesta altura
que se torna difícil o soneto
por ter de preparar-se a fechadura.

Enfim, cheguei ao último terceto.
Mas se a vates de tal envergadura
mil versos dedicar, eu seja preto
!
 


Acácio de Paiva

escritor, poeta, crítico de Teatro, literário, tauromáquico, peças de teatro;
grande humorista e improvisador;
também desenhava.
Nasceu em Leiria, no Largo da Sé, nº 7, em 14/4/1863
Faleceu na sua Casa das Conchas, no Olival, em 29/11/1944

-
A páginas tantas não seria de se reler algo de Augusto Gil (*)
Pelo menos eu, que até podia aproveitar este ensejo de na 5ª feira próxima ter de dizer umas palavras acerca da vida e obra de Acácio de Paiva e ele, pelos vistos, ter em boa conta este seu ilustre amigo.
(*)http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Gil
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Saturday, May 26, 2012

Vamos, então, conversar sobre ACÁCIO de PAIVA


MAIO


Vem minha noiva, dá-me o lindo braço
Pois Maio chega, convidando a amores;
Posso às mãos cheias atirar-te flores,
Encher, a transbordar, o teu regaço.


A luz da aurora é tanta pelo espaço
Que já teu corpo, de ideais primores,
Posso todo banhar em róseas cores,
Quando ìmpiamente e doidamente o enlaço.


É Maio. Posso modular-te um canto
De aves aos centos a voar nos brejos,
Para o triunfo no momento santo.


Em que tu cedas, ébria de desejos,
Ao preguiçoso e dúlcido quebranto
Da deleitosa música dos beijos...


É já na próxima 5ª feira que se vai conversar, durante uma hora, no Mercado de Santana, em Leiria, sobre Acácio de Paiva e o ambiente lírico e romântico que o poeta viveu e verteu para os seus versos espalhados aos sete ventos, pelos jornais e revistas da época, princípios do século passado.
Deixo aqui, hoje, este soneto, Maio já chegou e está no fim, aproveitemo-lo, então, antes que se vá embora, mais uma vez...

Muito se pode dizer sobre a vida e a obra de Acácio de Paiva,(*) entretanto podemos guiar-nos por este link, para irmos adaptando os nossos gostos e olhares da atualidade ao sentir a vida, a poesia, convertida em palavras daquela época...

Escrevia Américo Cortez Pinto, em 1968:


" A poesia estava-lhe no sangue e o seu estro não o abandonou jamais! Faleceu com 81 anos de  idade. E já ao aproximar-se o fim da vida confiava ao papel:
.....E tanto mais eu vivo de Poesia
.....Quanto maior o peso dos meus anos!"
-
(*)Biografia de Acácio de Paiva
@as-nunes

Tuesday, May 15, 2012

Acácio de Paiva e a sua veia de contador de fábulas e historietas, sempre em verso


 Acácio de Paiva, insigne poeta Leiriense, o maior humorista dos poetas da época, nasceu no Largo da Sé, em Leiria, na casa de frontaria de ajulejos «viúva lamego» (dados a revelar confirmam esta tese), bem visível, talvez dos edifícios típicos da cidade de Leiria mais fotografados pelos visitantes da cidade.


Nesta casa nasceram os Paivas que deram grande projeção à cidade de Leiria, Acácio de Paiva, Adolfo de Paiva, José Teles de Almeida Paiva e os seus filhos José e Zaida Manuela Teles e Paiva.

Insisto nestas notas sobre Acácio de Paiva porque me tenho dedicado a esta missão de não o deixar esquecer, com todo o meu empenho, de há muitos anos a esta parte, por motivos de relacionamento familiar é certo, mas também pela admiração pelo seu labor, que se tem vindo a incrementar à medida que mais e melhor o vou conhecendo .
A foto ao lado é uma reprodução de um trabalho monográfico e de levantamento da árvora genealógica de os Paivas e os Teles, superiormente elaborado pelo seu bisneto, Luis Maria de Sampaio e Paiva Camilo Alves (espero não estar a cometer nenhuma inconfidência grosseira), a quem agradeço toda a sua simpatia, amizade e colaboração.


Os «LUSÍADAS»

………..O professor Barradas
Percorreu com os olhos pequeninos
………..As diversas bancadas
Onde estavam sentados os meninos
E ao  número quarenta (que teria
………..Treze anos, talvez,
………..E era quem mais sabia)
Preguntou, animando-se: - “Quem fêz
«Os Lusíadas»? Diga-me de-pressa!”
Levantou-se o pequeno, atrapalhado,
Pôs-se a coçar na frente da cabeça,
………..A fitar o sobrado
………..E, por fim, respondeu,
Tremendo como ao vento a folha e o vime
Ou como se o culpassem de algum crime:
………..- «Não fui eu! Não fui eu!»
Ficou mestre Barradas furioso!
Saíu da aula, quando deu a hora,
…………E, encontrando o Pedroso
Que era pessoa muito sabedora,
Contou-lhe aquele caso miserando:
………- «Desgraçado país!
«Ora imagina tu que , preguntando,
…………«Há pouco a um petiz,
…………«Aluno do Liceu,
«Quem fizera os Lusíadas, a bêsta
………..«Pôs-se a coçar a testa
………..«E disse: Não fui eu!»
………………- «E então?
Ponderou o Pedroso com voz doce.
»Quem sabe se o pequeno tem razão?
………..«Pode ser que não fôsse…»

Acácio de Paiva
In “FÁBULAS E HISTORIETAS
Ilustrações de Vasco Lopes de Mendonça
Pp 213/214
Ed. INP – Diário de Notícias  - 1929

Mais se pode consultar neste blogue e também no "Leiria", que muito tem publicado no que concerne à intensa atividade literária de Acácio de Paiva no Século Illustrado dos princípios do séc. passado.
NOTA:
Dia 31 próximo, às 21horas, conversa no átrio do Mercado de Sant´Ana, em Leiria que vai girar à volta de  uma encenação teatral tendo como ponto de partida  uma carta na qual se alude ao grande poeta leiriense. Pretende-se  homenagear o Leiriense, poeta e embaixador de Leiria, duma forma não convencional nem ortodoxa. O mais amena possível, uma conversa à mesa do café. (ver aqui). 
@as-nunes  
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Wednesday, May 09, 2012

Acácio de Paiva: um dos cinco autores no Mercado de Sant´Ana, em Leiria

Um dos grandes vultos das letras Leirienses é, incontestavelmente, Acácio de Paiva.
Já aqui tive ensejo de escrever, por variadíssimas vezes, sobre tão ilustre personagem de Leiria, de modo que não me alongarei na sua apresentação (ver link).
A Câmara Municipal de Leiria, deliberou dar destaque, no roteiro cultural de Leiria para este mês de Maio, a uma iniciativa deveras interessante e que deveria ter a merecida atenção das pessoas que gostem de Leiria, da sua história, dos seus antepassados que dedicaram as suas vidas à Literatura, neste caso particularmente à Poesia, ao Teatro e ao Jornalismo. E temos razões de sobra para nos orgulharmos, nós os Leirienses (também o sou, ainda que Viseense de nascimento e de afetos), pelo excecional painel de ilustres autores indelevelmente ligados a Leiria, seja por nascimento seja por aqui terem passado uma parte relevante das suas vidas, tais como:
- Francisco Rodrigues Lobo
- Acácio de Paiva
- Afonso Lopes Vieira
- Eça de Queirós
- Miguel Torga

Como se pode ver no fac-símile da pág. 08 da LEIRIAGENDA - Mercado do Livro de Leiria (Mercado de Sant´Ana) acima reproduzido, este vosso humilde autor deste blogue, estará, no dia 31 de Maio próximo, na companhia de sua mulher Zaida Paiva (poetisa com livros publicados) e Paulo Moreiras, escritor com múltiplas provas dadas na área da publicação de livros e de colaborador de imensos jornais, em conversa amena e descontraída para se falar sobre Acácio de Paiva
Estas conversas irão ter lugar no interior do Mercado de Sant´Ana de 30 de Maio a 1 de Junho, entre as 21h00 e as 22h00.
Lá esperamos a vossa presença. No dia 31 como nos outros dias, claro está, não só porque se vai conversar sobre outros autores de mérito reconhecidíssimo mas também porque as mesas são constituídas com pessoas de muito saber e experiência. 
Quem sabe não se poderão proporcionar bons motivos de  diálogo e de convívio!
-
Em tempo: mais sobre Acácio de Paiva, (aqui) e (aqui).

Wednesday, April 11, 2012

Acácio de Paiva: Um pedido ...à Lua

.
UM PEDIDO...À LUA

As damas sempre são muito invejosas!
Como o Sol se ocultou um dia destes,
por causas, com certeza, poderosas,
sabidas só nas regiões celestes,
.......resolveu Dona Lua
no domingo fazer a mesma graça,
escondendo algum tempo a face nua
.......por trás duma caraça.
Podia fazer isso de surpresa,
.......mas como é muito linguareira
não sei a quem o disse, de maneira
......que em toda a redondeza
já toda a gente sabe da partida
e eu mesmo, que não sou de inquirições,
......conheço as intenções
......da dita delambida.
Bem. Visto que há trinta anos (mais talvez)
lhe tenho celebrado em versos fartos
......a doce palidez
e seu rosto de prata e até os quartos,
vou pedir-lhe a fineza assinalada
de ela mudar aquela estranha cena
para outra noite mais apropriada:
Como terça que vem falo à pequena,
......à minha namorada,
das onze às onze e meia, era excelente,
reservar para então a mascarada,
......porque provavelmente
temos ambos à porta do pomar
algumas expressões de amor contido
e muito me convinha que o luar
......não fosse intrometido.
Se tem havido eclipse quarta-feira
......àquela mesma hora, 
......não trazia eu agora
uma nódoa muitíssimo trigueira
nas alturas da sétima costela
......feita pela ponteira
da nodosa bengala do pai dela!


Acácio de Paiva

1863 - 1944
- Insigne Poeta Leiriense (Altíssimo Lírico e o maior Humorista da Poesia Portuguesa)
- também colunista e crítico literário dos melhores jornais e Revistas
da sua época 
(DN, Século, Ilustração Portuguesa, outra imprensa espalhada
pelo país)
- Diretor de "O Século Cómico"
- Autor e tradutor de múltiplas peças de Teatro
- Autor do "Fado Liró" em parceria com Nicolito Milano (mais tarde cantado e gravado em disco por Fernanda Maria)
@as-nunes

Thursday, August 11, 2011

Leiria: ao longo do rio Lis


clique para ampliar

Salve, rio Lis!


Cá vamos andando!...




.../
Lá ouvi, com a mesma suavidade
Que me ensinou as rimas hesitantes
Da minha descuidada mocidade
O Lis, tão deleitoso como dantes;
O de Rodrigues Lobo e D. Dinis
Que, se em verso amoroso, meigo e brando,
Prenderam corações, foi porque o Lis
Os ensinou, baixinho, murmurando.
/...


Acácio de Paiva
14/4/1863-29/11/1944
nasceu em Leiria, no Largo da Sé, nº 7


@as-nunes


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