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Friday, April 12, 2013

ACÁCIO de PAIVA - Altíssimo Lírico e o maior Humorista da Poesia Portuguesa

Acácio de Paiva nasceu a 14 de Abril de 1863.
Vão fazer precisamente 150 anos!
Alguém se lembrou dele?
Não tenho conhecimento de nenhuma iniciativa para comemorar oficialmente esta efeméride!
Acácio de Paiva é, reconhecidamente, um dos maiores poetas líricos e satíricos da Literatura Portuguesa!

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 O Tojo

Porque me fez cruel a natureza,
O tojo diz, é alma da floresta,
E não me concedeu, como a giesta
E mais irmão que tenho a macieza?

Não pode por carícia (que tristeza!)
Diminuir a dor que me molesta,
Pois que por condição, e bem funesta,
A quem me toque eu firo, com dureza.

Pés descalços, de carne preciosa,
Se atravessam os matos dos caminhos
Eu tenho de os rasgar, alma impiedosa,

E tanto desejaria que os espinhos
Se trocassem por pétalas de rosa
Quando os pisam crianças e velhinhos!

  Acácio de Paiva


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A LÍNGUA PORTUGUESA

Assim como onde tem maior pureza
A linfa, é na mãe de água, por ventura
Assim também na aldeia é que é mais pura
A minha amada língua Portuguesa.

Na sua elegantíssima rudeza
Como nos seus extremos de doçura
Todos os pensamentos emoldura
Numa espontânea e artística beleza

Oiço-a forte, nas feiras, discutindo;
Nos serões oiço-a meiga namorando…
E é sempre um trecho de poema lindo

Aqui soberbo, além risonho e brando,
Porque é de Portugal o mar bramindo
E é também o nosso rouxinol trinando

ACÁCIO de PAIVA
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 (No momento em que eu, no Arquivo Distrital de Leiria, enquanto a recolher (quantas consultas????) dados para completar a escrita de um livro sobre Acácio de Paiva...
Desculpem qualquer erro gramatical, que será de minha responsabilidade, pela pressa com que escrevi e publiquei...)

em tempo:
1- O fotocopiador do arquivo não está operacional;
2- não se podem fotografar documentos;
3- As digitalizações que se queiram, levam uma semana, pelo menos.

Razão de ter digitado estes dois sonetos.   Ficam já aqui...

Boa tarde a todos.

@as-nunes

Sunday, December 04, 2011

Alves Redol: Uma Fenda na Muralha; reedição apresentada na Nazaré

Miniaturas dos barcos de pesca Nazarenos. O do lado direiro, "Mar Santo ", foi o barco onde Alves Redol viveu uma extraordinária aventura de Medo e de Coragem, na companhia de pescadores da Nazaré.
Talvez que dessa quase-tragédia, tenha resultado o nome do livro "Uma Fenda na Muralha". Segundo algumas interpretações, a do próprio filho que esteve presente na sessão da Biblioteca (ver vídeo abaixo), o título do livro significa precisamente o milagre que foi, o barco em que seguiam, ter conseguido, in extremis,   furar a muralha que eram os enormes vagalhões que assaltavam, nos mares da Nazaré, aquele barco, o "Mar Santo".
O filho do mestre desse barco, o Snr. Diamantino Peixe, contou-nos essa história, que foi o que inspirou a escrita daquele livro durante pouco tempo após o sucedido em alto-mar, quando já toda a Nazaré, se preparava para enfrentar a grande desgraça, que teria sido mais um naufrágio, para cúmulo, com um barco em que Alves Redol se tinha prontificado a viajar para viver na companhia dos próprios pescadores, as suas ansiedades e expectativas da pesca.

Alves Redol, ao seu lado direito, o filho António Mota Redol, que apresentou a reedição do livro, "Uma Fenda na Muralha", na Biblioteca Municipal da Nazaré.


No vídeo que a seguir será aqui colocado poderão ouvir-se outros pormenores da vida de Alves Redol, da ambiência política e social em Portugal, nos anos 60 e dos escritores famosos e de referência da época, particularmente do neorealismo literário, Manuel da Fonseca, Piteira Santos; Cardoso PiresFernando Namora e outros.
 
nota: 
O snr. Diamantino Peixe acima referido, vê-se, neste vídeo, na mesa, ao lado direito de António Mota Redol, enquanto este falava sobre o seu pai, Alves Redol.
@asnunes

Friday, December 02, 2011

Nazaré e o Centenário do Nascimento de Alves Redol



Estivemos, no passado último feriado do 1 de Dezembro, na Nazaré. Um grupo de amigos, de boa idade, mas sempre alerta. Depois de almoçarmos uma boa caldeirada no "Sete Saias" lá seguimos a pé até à casa do casal Soares Duarte. Pelo caminho, ali na marginal, de braço dado com o mar, as suas inseparáveis gaivotas e o belo areal daquela que é, por muitos, considerada a mais bonita praia de Portugal. 

Claro, dispersei-me do grupo e lá andei, uns momentos, nas asas duma daquelas gaivotas que por ali espreitavam pela sua oportunidade de ver o peixe a saltar...
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Reedição do Livro “Uma Fenda na Muralha” de Alves Redol apresentada na Nazaré



    A Biblioteca Municipal da Nazaré realiza, no próximo sábado, 3 de Dezembro, às 16h00, uma sessão de apresentação do Livro “Uma Fenda na Muralha”, de Alves Redol, reeditado, que contará com a presença de vários convidados. 
    António Mota Redol, filho do escritor,  pescadores que privaram com Alves Redol e a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Nazaré (que arrancou as suas actividades com a leitura e discussão desta obra), entre outros convidados, são as presenças confirmadas nesta sessão, marcada para o próximo sábado.

    Esta iniciativa surge na sequência do Programa Nacional de Comemoração do Centenário do Nascimento de Alves Redol (1911 – 2011), que tem desenvolvido, ao longo deste ano, inúmeras actividades pelo país, e que já trouxe à Nazaré, ao Centro Cultural, em Setembro, a  Mostra Bibliográfica sobre o escritor, organizada pelo Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira.

    A Nazaré acolhe agora mais uma iniciativa dedicada ao escritor com a realização da sessão de apresentação de “Uma Fenda na Muralha”, livro (original lançado em 1959) que retrata o quotidiano nazareno dessa época. 
    in
    http://www.cm-nazare.pt

    Lá estaremos!...
    @as-nunes

    Wednesday, October 06, 2010

    Castanheira de Pêra - Centenário da República


    Comemorava-se o Centenário da República com uma Exposição, na «Casa do Tempo», subordinada ao tema "A Cerâmica e a República", de peças das mais representativas de Rafael Bordalo Pinheiro.
    Encontrei e tive oportunidade de trocar algumas palavras com Kalidás Barreto, um velho camarada de lides políticas e sindicais dos tempos do imediatamente pós- 25 de Abril de 1974. Kalidás Barreto, nesses tempos, tinha uma postura sindical muito mais radical do que defendia o seu partido. Por meu turno, acabei por participar do Congresso de Fundação da UGT, em contraposição à CGTP. A talvz imaginária divisão entre Unidade e Unicidade Sindical. Velhas lutas. Jovens entusiastas à procura dum rumo novo para a novel Democracia com a qual se estavam a escrever as primeiras letras da III República.

    Entretanto, não quero deixar de exprimir aqui e agora o meu louvor ao trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Leiria da ASSP (Associação de Solidariedade Social dos Professores), que organizou esta excelente visita-convívio, para vincar também a comemoração do Dia Internacional do Professor.

    Bem gostaria de deixar mais notas sobre este convívio. Muita simpatia, bom convívio, cooperação excelente da Câmara Municipal de Castanheira de Pêra (que nos proporcionou um excelente passeio guiado pela espectacular zona serrana do concelho).

    O espaço dum blogue não me permite, porém, tais veleidades. Pelo menos para já. Fica aqui a promessa de voltar com mais algumas fotos  elucidativas.
    -
    A UGT e a CGTP já formalizaram um acordo de unidade na acção para a "Manifestação Nacional de 24 de Novembro de 2010" contra as medidas de combate ao déficit preconizadas pelo Governo para 2011. (8 OUT 2010 - últimas notícias)
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    Sunday, September 19, 2010

    Leiria no II Centenário de Alexandre Herculano

    Realizou-se no dia 18 de Setembro de 2010, no Arquivo Distrital de Leiria, sob a coordenação do CEPAE e do Arquivo, um colóquio evocativo do II Centenário do Nascimento de Alexandre Herculano.
    Legenda da composição fotográfica:
    - Busto de Alexandre Herculano cinzelado em 1910, por alturas do I Centenário comemorado em Leiria e à guarda do Arquivo Distrital. Em muito bom estado de conservação;
    - Acácio de Sousa, Director do Arquivo Distrital;
    - Carlos Fernandes, jornalista, agrónomo, escritor, grande impulsionador de manifestações culturais em Leiria;
    - Aspecto parcial da mesa do Colóquio, vendo-se o Dr. Joaquim Ruivo, Presidente da Direcção do CEPAE, Prof. Dr. Guilherme d´Oliveira Martins, Director do Instituto Nacional da Cultura e Presidente do Tribunal de Contas e Prof. Dr. Saul Gomes, Catedrático da Universidade de Coimbra, grande dinamizador do levantamento histórico de toda a região da Alta Estremadura;
    - Adélio Amaro, editor, jornalista, Presidente da Fundação da Associação Cultural Açores-Leiria;
    - Amélia Pais, professora reformada, escritora.
    Abriram os trabalhos os Presidentes da Câmara Municipal de Leiria e a Presidente da Junta de Freguesia. 
    Como não podia deixar de ser, o orador convidado e presidente do Colóquio foi o Prof. Dr. Guilherme d´Oliveira Martins.
    Tópicos do que registei da excelente dissertação de Oliveira Martins (Não confundir com o grande historiador com o mesmo nome, ainda que o actual seja seu descendente):
    - A História de Portugal, de Alexandre Herculano, abrange um período de 200 anos, não mais, mas é o primeiro trabalho metódico e muito rigoroso, que foi levado a cabo na área especificamente da História cronológica de Portugal. Este trabalho  abrange o período desde o Nascimento da Nacionalidade até ao reinado de D. Afonso III  e é baseado directamente na fonte da informação documental, pelo que se assume com a devida e justa primazia na área do estudo da História de Portugal.
    O próprio Oliveira Martins, que escreveu uma História completa de Portugal, serviu-se, quase literalmente, deste esforço pioneiro de Alexandre Herculano, para alicerçar o seu brilhante estudo, ainda hoje um dos pilares da moderna Historiografia.
    - Não podemos reflectir sobre Portugal sem lembrarmos Alexandre Herculano.
    - Alexandre Herculano é um símbolo de honradez, cidadania e estudo das fontes das origens do Povo.
    - Alexandre Herculano apoiou os revolucionários Liberais, activamente, acompanhando-os na sua campanha militar, fazendo parte do grupo que desembarcou no Mindelo.
    - Foi um defensor acérrimo do Parlamentarismo, sendo-lhe atribuído o conceito de "Que o País seja governado pelo País".
    - Foi com Alexandre Herculano que o Movimento regenerativo se impôs em Portugal, após a vitória Liberal capitaneada por D. Pedro IV. De qualquer modo recusou-se a fazer parte do I Governo saído desse movimento.
    - O Código Civil de 1867 foi revisto, conceptual e ortograficamente, por Alexandre Herculano, que nele inseriu a figura do casamento civil, o que lhe acarretou graves desavenças com a Igreja Católica.
    - Desenvolveu a concepção de Municipalismo, tendo sintetizado esta ideia numa célebre frase: "somos porque queremos".
    - Um dos seus mais sublimes livros de referência é "A Voz do Profeta".
    - Na narrativa "O Pároco da Aldeia" conseguiu transmitir aos seus leitores a ideia de que se pode viver na maior das Espiritualidades, mas que são de recusar todas as superstições que se lhe possam ser associadas.
    - No que respeita às suas ligações íntimas com o jornalismo há que realçar a célebre "Lei das rolhas" com a qual se pretendeu limitar a escrita exacerbada contra o Governo de Costa Cabral.
    (...) 
    Muito mais foi dito pelo próprio Oliveira Martins.
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    Os restantes oradores focaram as vertentes na área da intervenção literária (Dra. Amélia Reis), na da Agricultura (Engº Carlos Fernandes), e na do Jornalismo (Dr. Adélio Amaro).

    Dada a extensão dos trabalhos que foram preparados para efeitos deste colóquio e que aqui só foram aflorados, o Dr. Joaquim Ruivo do CEPAE comunicou que estas intervenções e as conclusões do Colóquio serão proximamente passadas a livro.
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    (mais sobre Alexandre Herculano - síntese)

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    Tuesday, September 14, 2010

    LEIRIA numa significativa EVOCAÇÃO de ALEXANDRE HERCULANO



    Em diversas oportunidades já aqui ficaram registadas variadas passagens acerca da figura e da obra excepcional de Alexandre Herculano.
    Pode consultar (aqui).
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    Os Leirienses comemoraram, da forma como se descreve seguindo o link acima, o Centenário do nascimento do ilustre político e homem das Letras portuguesas, que foi Alexandre Herculano. 
    Veremos o que se irá passar no decorrer deste ano, agora que ocorre o Bicentenário da mesma efeméride!...
    (excerto de um dos apontamentos anteriores... neste blogue)
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    De notar, também, que o Dr. Guilherme 
    d´Oliveira Martins, que vai presidir à mesa do Colóquio, é descendente do grande historiador Oliveira Martins, contemporâneo de Alexandre Herculano.
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    Sunday, July 25, 2010

    LEIRIA: ALEXANDRE HERCULANO e o Bicentenário do seu nascimento

    DENTRO DE TI, Ó LEIRIA: ALEXANDRE HERCULANO NO 1º CENTENÁRIO

    Que esta luz no interior do Castelo de Leiria possa contribuir para ajudar a construir as novas caravelas que hão-de guiar Portugal pelos MARES encapelados da actualidade!...



    Os Leirienses comemoraram, da forma como se descreve seguindo o link acima, o Centenário do nascimento do ilustre político e homem das Letras portuguesas, que foi Alexandre Herculano.

    Veremos o que se irá passar no decorrer deste ano, agora que ocorre o Bicentenário da mesma efeméride!...

    Por todos os motivos sobejamente conhecidos e mais os que se prendem com o momento actual que Portugal atravessa - com variadíssimos traços de união com a época de Alexandre Herculano, de decadência do sistema político, económico e social - seria de todo útil, promover acções evocativas e de reflexão profunda e sistemática  sobre o melhor rumo possível que os Portugueses actuais têm o DEVER indeclinável de propor para o nosso País!

    Com toda a urgência!
    Ainda estamos a tempo de evitar a repetição dos nefastos erros do nosso Passado colectivo!...

    Wednesday, May 26, 2010

    Alexandre Herculano - Herói nacional e lavrador (bicentenário do seu nascimento)

    Está em curso o ano do bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano.
    A capa acima é dum livro de João Medina, Edições Terra Livre, 1977 e a gravura é da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro e dedicada a Alexandre Herculano, a quem um dia chamou "azeiteiro". Foi utilizada na Capa da revista Lanterna Mágica, de 26 de Junho de 1875.
    Durante várias décadas, anos 40 a 60 do século XIX, Herculano dedicou a sua vida à política  e à literatura, tendo atingido a expoência máxima. Era considerado, consensualmente, o «primeiro homem do seu país», tendo participado nos momentos mais importantes que se passaram em Portugal naquele período. Escreveu os livros mais lidos do seu tempo, nomeadamente pelos mais novos, que muito o apreciavam. Foi o inspirador da revolução liberal de 1851(*) e organizou um dos dois partidos liberais da altura. Redigiu o Código Civil com o qual se poderá dizer que se iniciou o processo de separação da Igreja e do Estado com a institucionalização do casamento civil e que haveria de se consumar já em pleno século XX. Esta tomada de posição criou muitas incompreensões e inimizades a Herculano, que passou a ser visto como um ateu convicto o que não correspondia, de todo, à realidade. Privadamente, Alexandre Herculano frequentava a sua capela privativa na sua Quinta de Vale de Lobos. 

    Inesperadamente, no momento em que o país se afundava dramaticamente num caos de valores sociais, políticos e económicos, determinado a não se deixar envolver em confronto com as ideias da nova geração que estava a surgir na ribalta da cena política e literária, retirou-se voluntariamente para a sua Quinta de Vale de Lobos (que comprou com os direitos autorais dos seus livros), transformando-se num verdadeiro e empenhado lavrador. Com esta decisão cortou radicalmente com a vida pública passando a viver duma forma decididamente solitária.


    Repousa na capela tumular do Mosteiro dos Jerónimos.

    Herculano escreveu muitas das mais belas páginas da literatura e da História de Portugal. Pode-se mesmo dar o devido realce à magistral obra Eurico, o Prestíbero. Nesta oportunidade, porém, apetece-me falar duma das suas Cartas Inéditas a Joaquim Filipe de Soure datada de 4 de Julho de 1867(?) a que lhe deu o título: AS TRÊS FAIAS.

    E lembrei-me de deixar aqui, mais uma vez, expressa a minha admiração pela FAIA da Alameda José Lopes Vieira, junto ao Rio Lis e ao Jardim Luís de Camões, em Leiria (v. foto). Esta árvore, enquadrada por outras, também muito bonitas (melia azedarach, liquidambar, padreiro, bordo, tília), compõem um dos recantos mais românticos de Leiria (já aqui publiquei variadíssimas fotografias).

    Porque virá a propósito deste meu parêntesis, e também porque espelha fielmente o espírito monástico de Herculano da altura, permito-me transcrever um pequeno excerto daquela carta: "... Em suma, o canto obscuro da aldeia é hoje o meu único destino nacional, e felizmente a minha única ambição. As minhas três grandes faias dão-me mais prazer ao vê-las que todos os museus, monumentos, praças, teatros, bibliotecas da Europa. Que ia eu lá ver, se não achava lá as minhas três faias? Estou assim: que lhe hei-de eu fazer?"
    Lendo a contra-capa do livro que está a servir de guia deste texto facilmente se deduz que o seu objectivo é transmitir um tributo de homenagem a Alexandre Herculano. Estava-se na altura da sua edição a comemorar o centenário da morte de Herculano.
    Raramente alguém terá inspirado tanta controvérsia à volta da sua vida e da sua obra, na qual se envolveram, a favor e contra tantas figuras conhecidas, como no caso de Herculano. O caso é que se trata de figuras gradas da literatura portuguesa pertencentes a uma geração mais nova, a geração dos anos 70 do séc. XIX. Figuras que conheceram e conviveram com Herculano e que, por isso, lhe estariam mais próximas, emocionalmente.
    Dentre essas figuras cimeiras destacam-se: Antero de Quental, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Anselmo de Andrade, Ramalho Ortigão, Teófilo Braga, , Adolfo Coelho e - sobretudo - Oliveira Martins.
    ...
    Muito mais se poderia acrescentar para compor este texto. Simplesmente, o que me motivou a abordar este tema, o de falar de Alexandre Herculano, foi, por um lado, o facto de estarmos em ano de comemoração do bicentenário do seu nascimento e, por outro, o de recapitular informação que já me estava a ficar distante no tempo em que na Escola a tive que estudar por obrigação.
    É que está programado para muito em breve falar-se sobre Alexandre Herculano no seio do Grupo de Poetas e amigos da Literatura da Biblioteca Municipal de Alcanena, do qual já faço parte. Com muito gosto.
    -
    (*) Regeneração
    Período da vida portuguesa, iniciado em 1851 com a insurreição militar que levou à queda de Costa Cabral.

    A regeneração durou 17 anos, neste período decorreu um processo de desenvolvimento económico, social e mental que tentou colmatar atrasos estruturais:
    Estradas
    Caminhos de ferro
    Telégrafo
    Modernização da agricultura, comércio e indústria

    No entanto esse desenvolvimento acarretou alguns custos, só possíveis com o recurso ao aumento da carga fiscal que a população não compreendeu, o que culminou na revolta da Janeirinha(1868). 
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    Monday, February 01, 2010

    REPÚBLICA: a luta pelas Bandeiras




    A escolha da Bandeira para simbolizar a Unidade Nacional em torno do ideário Republicano do 5 de Outubro de 1910 assumiu contornos bastante controversos em que intervieram personalidades do mais alto gabarito e que, mesmo assim, não se resumiu a uma questão meramente académica ou literária.
    Nesta querela envolveram-se poetas como Guerra Junqueiro, Afonso Lopes Vieira, Bernardo de Passos, Alexandre Fontes e outros ilustres homens de letras, professores universitários, ideólogos e jornalistas com arreganhos de polémicas furiosas (Bruno, Lopes de Mendonça, Abel Botelho, Teófilo Braga, etc.), políticos (Machado Santos) e artistas apolíticos como Columbano.
    A polémica que mais se popularizou foi a que se travou entre Junqueiro, em defesa das cores azul e branca e Teófilo a favor do conjunto verde-rubro.

    Esta questão que, aparentemente, se poderia apresentar como uma simples guerra do alecrim e da manjerona, acabou por se enredar em infinitas argumentações, tendo prevalecido a ideia mítico-simbólica do verde-rubro, de conformidade com a deliberação da comissão oficial da nova bandeira da República Portuguesa composta por cinco vogais. O relatório desta deliberação foi confiado ao general Abel Acácio, também conhecido por Abel Botelho.
    Este relatório é merecedor duma leitura atenta já que é neste documento que se justificam as razões da escolha do bicromatismo verde-rubro e se faz o apelo para uma interpretação ideológica e psicológica da Bandeira que viria a ficar até ao presente como o símbolo de Portugal como Nação Republicana. Neste relatório ficaram registadas as justificações das escolhas dos símbolos que compõem toda a bandeira. Foi aprovado por unanimidade em reunião de 15 de Novembro de 1910.

    Em muitas ocasiões mais controversas levantou-se a pertinente questão de se não ter feito um plebiscito popular para se escolher a Bandeira da República Portuguesa.

    Este ano de 2010 decorrem as comemorações do Centenário da República, durante as quais se vão gastar 50 milhões de Euros. Dado o actual estado precário das contas Públicas do Estado Português não se devia ter optado por um programa comemorativo menos dispendioso? Penso que sim. Até porque é dos parcos haveres de cada Português que sai a colecta para fazer face a estas comemorações que a todos nós dizem directamente respeito...

    Apesar de tudo, VIVA A REPÚBLICA!

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    Para mais e mais profundos estudos sobre este tema pode ler-se o Vol. X da "História de Portugal - Dos tempos Pré-Históricos aos nossos dias", Coordenação de João Medina, ediclube, págs. 164 e outras.

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    Wednesday, February 06, 2008

    4º Centenário do Nascimento de Padre António Vieira

    António Vieira, padre jesuíta, missionário, orador e diplomata, foi um dos maiores prosadores da língua portuguesa. No 4º centenário do seu nascimento, o CCB presta-lhe homenagem com um programa do qual fazem parte leituras, música e a projecção do filme Palavra e Utopia, de Manoel de Oliveira.

    Directamente da Net. Não podia deixar de prestar o meu modesto contributo para a divulgação desta data - 6 de Fevereiro de 2008. Dada a enorme projecção, nacional e internacional, deste portentoso embaixador da Língua de Camões, pouco mais poderia acrescentar, tendo em conta a grande variedade e qualidade das iniciativas projectadas para comemorar este Centenário.



    Saturday, February 02, 2008

    Alcanena - Homenagem a Torga



    Conforme já se referiu em post anterior, foi levado a efeito, com a participação activa do ELOS CLUBE de LEIRIA, uma exposição temática e cerimónia invocativa do grande Torga.
    Estes dois quadros são de dois pintores de mérito comprovado e que conviveram com Miguel Torga. Ampliando-se (clic) a foto podem observar-se pormenores técnicos e temáticos de particular interesse.
    No quadro do lado esquerdo, de Manuel Filipe(*), natural de Condeixa e cujo Centenário vai ser comemorado este ano, pode ver-se o que era o curso do rio Lis ao passar na zona do antigo Rossio em pleno centro de Leiria. Uma cena histórica e duma beleza ímpar.
    O quadro ao lado é do reputado aguarelista Leiriense, Lino António e retrata a sua própria mulher duma forma encantadora e demonstrativa da reconhecida capacidade técnica, inspiradora e capaz de mostrar as pessoas (
    ver também) envolvidas nas tarefas do dia a dia das suas vidas. Nasceu em 1898 no dia 26 de Novembro.





    Outro quadro de Manuel Filipe, contendo uma dedicatória a Raul Brandão, também contemporâneo de Torga.

    Ampliando-se, pode-se verificar que este quadro é obra de Alfredo Baptista (o célebre Dr. Olívio, a que se refere Torga num dos seus Diários, como um dos seus grandes amigos do tempo em que viveu em Leiria).
    Estes e muitos outros quadros de autores que conviveram com Miguel Torga em Leiria, estão em exposição na Biblioteca de Alcanena. Pertencem ao Dr. Arménio de Vasconcelos e à Casa-Museu Maria da Fontinha, em Castro Daire.


    Zaida Paiva Nunes a dizer um poema de Miguel Torga. Estávamos no Auditório da Biblioteca Dr. Carlos Nunes Rodrigues, em Alcanena.
    Disse "Romance":
    -
    Ora pois: foi tal qual como vos digo:
    Minha Mãe, certo dia, pôs a questão assim:
    - Ou Ela, ou eu!
    E ficou resolvido que no dia doze
    Minha mãe parisse,
    E pariu!



    Pariu e ninguém se opôs! Ninguém!
    Como se fosse um feito glorioso
    Parir assim alguém, tão nu, tão desgraçado!
    Por mim,
    Ainda disse que não.
    Mas o seu Anjo da Guarda
    Era forte e tenebroso...
    E aquele frágil cordão
    Deixou de ser o meu Pão,
    O meu Vinho
    E a paz eterna do meu coração
    Mesquinho.
    ...
    Deixou de ser um mundo e foi outro.
    Foi a inocência perdida
    E a minha voz acordada...
    Foi a fome, a peste e a guerra.
    Foi a terra
    Sem mais nada.

    Depois,
    Sem dó nem piedade a vida começou...
    Minha Mãe, a tremer, analisou-me o sexo
    E, ao ver que eu era homem,
    Corou...

    -
    (*) Ler mais sobre Manuel Filipe



    Nota de rodapé: Foi anunciado nesta sessão que já estava decidida a constituição do ELOS CLUBE DA REGIÂO DE ALCANENA. Pessoalmente e em nome do ELOS de Leiria, congratulo-me pela entrada em exercício de mais um Elo no MOVIMENTO ELISTA INTERNACIONAL.



    Pela Cultura e Língua Lusófonas!



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    Thursday, January 03, 2008

    I Centenário de Miguel Torga - diploma e medalha


    (clic para ampliar - vale a pena)

    Em sessão de 3 de Janeiro de 2008, no Salão Nobre do Solar do Visconde da Barreira - Leiria teve lugar a distribuição de Diplomas e Medalhas pelos membros do Elos Clube de Leiria que participaram mais activamente nos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano de 2007. Nestas duas fotos podem ver-se esses dois prémios, edição do Elos de Leiria em conjunto com o Movimento Elista Brasileiro e a Fundação Casa-Museu Maria da Fontinha - Castro Daire.
    Ao mesmo tempo foi empossado como Governador Elos para a zona centro de Portugal o Dr. Arménio de Vasconcelos, que, assim, suspendeu o seu mandato como Presidente do Elos de Leiria, pelo que o novo Presidente passou a ser Adélio Amaro. Estiveram presentes na sessão diversas individualidades destacando-se o acessor do Primeiro Ministro e Elistas vindos de Olhão e do Brasil.
    Uma reportagem com mais destaques será desenvolvida no blogue do
    Elos Clube de Leiria.

    - Para amenizar um pouco o tom solene desta crónica devo assinalar um pormenor delicioso: a fotografia da medalha foi tirada na altura do jantar desta sessão, depois de aposta num blusão do Guilherme, meu neto, que tem 9 anos e que, conjuntamente com a irmã, a Mafalda (12 anos, muito bonita e grande fotógrafa, que fez parte da reportagem fotográfica, em bom estilo, opinião geral dos presentes) estiveram connosco até que a hora da noite forçou a mãe Inês a levá-los para casa para o descanso necessário para o dia seguinte, de aulas. Daí não dever ser de admirar o fundo da fotografia...

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    Friday, November 30, 2007

    Homenagem a MIGUEL TORGA em Leiria


    O busto de Torga envolto na pedra bendita do seu Marão, olhar de águia a pairar sobre as fragas e vales profundos, as plantas silvestres, nomeadamente, a urze, que ele tanto estimava, amava mesmo, podemos dizê-lo.


    No decorrer da sessão, várias personalidades foram distinguidas com o Diploma e com a Medalha do Centenário de Torga, edição do ELOS Clube. Na foto podem ver-se, Prates Miguel (Presidente da Mesa da AG do Elos de Leiria), Mário Zambujal (a receber as merecidas condecorações) e Arménio de Vasconcelos (Presidente do Elos Clube de Leiria).

    O Grupo de Bailado Contemporâneo de Leiria prepara-se para iniciar uma dança sob a coreografia da prof. Cláudia Cardoso tendo como mote inspirador o poema de Torga "O Cisne", projectado em fundo.

    Foram apresentados dois concursos: o das Artes Plásticas e o Literário, pelas vozes dos CE(*) Zaida Nunes e Vieira da Mota, cujos Regulamentos estão à disposição dos interessados no endereço: http://elosclubedeleiria.blogspot.com . Também se fez a apresentação do Roteiro de Torga por terras da Região de Turismo Leiria/Fátima, que esteve a cargo da CE Lucília Vasconcelos. A edição deste roteiro será da responsabilidade da própria "Região de Turismo Leiria/Fátima" a sugestão e parceria do Clube Elos de Leiria.

    Esta sessão teve lugar no Auditório 1 do IPL e integrou-se no Plano de Actividades do próprio ELOS CLUBE de LEIRIA.

    Pena a assistência ser relativamente reduzida (talvez devido à hora - 17 horas de uma Sexta-Feira). Foi, sem dúvida, uma sessão cultural de elevado nível, que teria justificado uma lotação esgotada do Auditório.

    (*) CE Companheiro/a Elista

    (Um artigo com mais pormenores, está em edição para ser publicado no sítio do ELOS CLUBE DE LEIRIA e no "Correio de Leiria" com a maior brevidade possível. Espero, entretanto, que a imprensa regional não deixe passar este acontecimento em claro).

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    Wednesday, November 21, 2007

    IPL - Campus Universitário de Leiria


    Vista do vale do rio Lena(*), na zona da Quinta da Mourã - Barreira - Leiria, princípio da tarde de sábado passado, desde as traseiras das novas instalações do Campus Universitário - IPL(**), Escola superior de Educação, Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ali para os lados do "Continente").
    Aprecie-se, na foto rectangular, um dos resultados das monumentais movimentações de terras que as máquinas modernas proporcionam em tempos recorde. Entretanto, vamo-nos queixando das alterações climáticas.

    ...---...

    (*) Lenda do Lis e do Lena

    Nasceu o rio Lis junto a uma serra
    No mesmo dia que nasceu o Lena;
    Mas com muita Paixão, com muita Pena
    De seu berço não ser na mesma Terra.

    Andando, andando alegres, murmurantes,
    Na mesma direcção ambos corriam;
    Neles bebendo, as aves chilreantes
    Cantavam esse amor que ambos sentiam

    Um dia já espigados, já crescidos
    Contrataram casar, de amor perdidos
    Num Domingo, em Leiria de mansinho...

    Mas Lena, assim a modo envergonhada
    Do povo, foi casar toda enfeitada
    Com o Lis mais abaixo um bocadinho.

    José Marques da Cruz
    1888-1958

    -

    (**) Sessão de Homenagem a Miguel Torga

    CONVITE

    Os Presidentes do Instituto Politécnico de Leiria e do Elos Clube de Leiria têm a honra de convidar V. Exa. e Exm.a Família, para a Sessão Cultural e Homenagem ao Insigne Escritor e Poeta Miguel Torga, a ter lugar no próximo dia 30 de Novembro, pelas 17 horas, no auditório 1 da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria. A culminar esta cerimónia, haverá uma visita à Exposição de Arte, em que estarão representados Artistas Plásticos que conviveram, conheceram e ou mantiveram relações de amizade com Miguel Torga, nomeadamente na cidade de Leiria.A exposição estará patente no Salão da Biblioteca José Saramago, no mesmo campus.

    Programa
    - Projecção de Imagens sobre Miguel Torga
    - Poesia de Miguel Torga dita por Adélio Amaro, Soares Duarte e José Vaz
    - Testemunhos e opiniões sobre Torga: Prates Miguel, Arménio Vasconcelos, Maria da Conceição Morais Sarmento Celeste Alves
    - Apresentação do Roteiro “Torga em Leiria”, a editar por Região de Turismo Leiria/Fátima e Elos Clube de Leiria
    - Informação sobre os Concursos de Artes Plásticas e Literário com temática Torguiana
    - Entrega de 5 Diplomas e Medalhas alusivos ao Centenário de Miguel Torga
    - Momento de Poesia, lida por Zaida Nunes, e Bailado pelo Grupo Contemporâneo Oito Tempos, sob a direcção da professora Cláudia Cardoso
    - Momento Musical, com composições e direcção do Maestro Vicente Narciso, vozes de Dina Malheiros e Genealda Sousa, com poemas de A. Vasconcelos e Miguel Torga.
    Os meus cumprimentos,
    Adélio Amaro
    Vice-presidente do Elos Clube de Leiria

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    Sunday, November 11, 2007

    ELOS CLUBE DE LEIRIA em defesa da Cultura Lusíada

    (clic para ampliar)



    No dia 22 de Abril de 2006, no Auditório do Mosteiro da Batalha, foi oficialmente constituídoo ELOS CLUBE DE LEIRIA, com o apadrinhamento dos Elos Clude de Faro e os de Niterói(Brasil) e Rio de Janeiro. O Discurso de Apresentação(*) constitui uma peça literária e de lusitanidade de excepcional qualidade e emoção. Clicando-se a imagem de texto acima pode ler-se a 2ª de várias páginas...as restantes podem ser consultadas no blogue http://elosclubedeleiria.blogspot.com/
    No próximo dia 30 do corrente mês este Clube irá promover, no Auditório do IPL - Instituto Politécnico de Leiria, uma sessão de homenagem a Miguel Torga, no âmbito das Comemorações do Centenário do seu Nascimento.
    O autor deste blogue, membro fundador do ELOS CLUBE DE LEIRIA, não podia deixar passar este ensejo para, num singelo post dum despretencioso e disperso blogue, abordar três temas que lhe são muito queridos:
    1 - Realçar as extraordinárias potencialidades do Movimento Elista Internacional, como forma de promover a Língua e espírito Lusíada;
    2 - Juntar-se ao coro de Homenagens que têm sido prestadas a Miguel Torga, no decorrer do Centenário do seu Nascimento;
    3 - Contribuir para a divulgação de outro imortal poeta português: Fernando Pessoa (leia-se o poema do texto).
    Ainda, no âmbito destas comemorações, vão ser lançados um "Roteiro Cultural - Torga por terras de Leiria" e um concurso de pintura e/ou escultura "Miguel Torga - Vida e Obra".
    Se queremos pugnar por uma Língua viva e actuante e lutar pela identidade própria da Cultura Lusíada, todos os Povos espalhados pelo Mundo, que têm o Português como língua oficial (e somos centenas de milhões, não nos esqueçamos) devem dar as mãos e Unidos seremos uma força com que se terá de contar no sentido do desenvolvimento da Humanidade.
    (*) Dra. Mariana Teles Antunes Pais Dias Fernandes
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