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Tuesday, January 08, 2013

Uma folha que o inverno ainda não levou...ou já levou?

Na rua 25 de Abril, em Leiria, numa destas tardes, a despedir-me das últimas folhas dos liquidambares...


Sim, não, talvez.

Há nesta árvore uma folha que o inverno
não levou.


Albano Martins
Os primeiros versos de dois poemas (pp 49 e 63)
In
Estão agora floridas as magnólias
Ed. Afrontamento - 2012

@as-nunes

Thursday, March 01, 2012

Outra vez: ameixoeiras em flor




Hoje, ao seguir 
na rua cidade de Tokushima
em direção à escola da Carolina
aí estavam elas,
as ameixoeiras de jardim,
de novo em flor.


E a chuva sem vir!...
@as-nunes

Thursday, January 26, 2012

Leiria à noite, a "minha" Leiria

 Vim à rua (não me vou embora definitivamente tão depressa, ai não, não), era já noite cerrada, o relógio da Torre Sineira até parece que me quer contradizer...
 Aqui começa a Rua Direita (Barão de Viamonte)...então, mas aquele "Centro Cívico" não vai ficar com uma arquitetura assim a modos que um pouco fora do contexto da urbe histórica de Leiria?
 O banco do Largo da Sé... parece que na noite anterior andaram por ali uns vândalos a partirem placas de sinalização. Não sei se sabem que isto é um crime grave.
 Aqui já é a Rua da Vitória
 O Tomé a cortar o último cabelo do dia, fiquei eu a pensar...
 BP - Banco de Portugal Leiria (desativado)
 Na fachada do BP - quem, o Banco?!...
 Gosto do número 7. Este é da Rua da Vitória
 Vitória difícil, a da II Guerra Mundial

Aqui também é um nº 7
Na porta ao lado funciona um dos bares emblemáticos de Leiria: "Pharmácia Bar".
-

CANÇÃO DE ALTA NOITE

Alta noite, luz quieta,
muros finos, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta
Não necessita de casa.

Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,
Não necessita de sono.

Andar…Perder o seu passo
Na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,
Nem necessita de vida.

Andar… - enquanto consente
Deus que seja a noite andada.
Porque o poeta, indiferente,
Anda por andar – somente.
Não necessita de nada.

Cecília Meireles


(Porque amanhã (28) é Sábado, dia de Encontro de Poetas em Alcanena)




(Acabei por deixar aqui mais uma rosa, desta vez, branca como a neve, lindíssima, fotografada há dias no meu jardim. Já que estamos a falar de poesia, seja da Leiria à noite, seja das rosas do meu jardim.
Aproveito o ensejo para, com ela, homenagear também a grande poeta Cecília Meireles.)
@as-nunes 

Thursday, June 02, 2011

Sentido obrigatório?!...

Chegou a hora!?...


De quê?
Obrigatório virar à direita? Assim perspectivam os sinais!...


O relógio da Torre Sineira da Sé de Leiria, embora com um adiantamento de 5 minutos, há já uns bons anos, lá dá as horas, indiferente às emoções dos homens.


Os sinos tocam, às vezes... ainda que os possamos "ouvir" - sempre que nos apetecer - ao ler Eça de Queiroz, Acácio de Paiva e outros!...


Na terceira foto, uma perspectiva gaiteira e romântica de Leiria, quem desce a Rua Cónego Sebastião da Costa Brites, a rua que leva lá acima ao Castelo, que se veste todas as Primaveras, desde que me lembro, com este contraste deslumbrante!...


Desde 1966 
que subo esta calçada
e torno a subir


até quando?
@as-nunes
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Friday, May 20, 2011

Leiria em preparativos para o seu dia

No Largo 5 de Outubro de 1910, o de maior área e mais simbólico de Leiria. 
A preparar-se para os festejos de evocação histórica. 
De 21 de Maio a 1 de Junho, a cidade de Leiria vai recrear o ambiente histórico da Corte d´El Rei D. João III, no ano de 1545, altura em que se criou a diocese e Leiria foi elevada a cidade.


(ver aqui, mais pormenores acerca deste facto histórico)

A propósito. Ali mesmo ao lado (sobre a esquerda da foto) está patente uma exposição de caricaturas no edifício "Ernesto Korrodi" do antigo Banco de Portugal, agora em segundo plano, face à barraca que se vê na fotografia.


Ainda o Largo 5 de Outubro de 1910, todo enfeitado (?!) com pendões a anunciar o 29º Festival "Música em Leiria" (25´Quarta`21h30 - Teatro José Lúcio da Silva), organização do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes.
Esta catalpa, toda engalanada, na rotunda do estádio, a dar um ar da sua graça, como que a convidar os visitantes a chegarem-se mais ao Centro Histórico de Leiria.
Amanhã e Domingo são dias para comemorar. 
22 de Maio é oficialmente o "Dia do Município" de Leiria.
@as-nunes
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Saturday, February 19, 2011

LEIRIA: Vila Maria, para memória futura




Vim viver para Leiria em 1966. 
A cidade tinha um núcleo urbano central, a actual Zona Histórica, e mais uns quantos aglomerados urbanos, vivendas familiares e muitas Quintas, à sua volta.
Passados estes anos todos, Leiria está transformada num grande centro urbano, a deslocar-se duma forma nítida para a zona do actual "Shopping Center", ao mesmo tempo num infernal entroncamento de Auto-estradas e Itinerários Complementares, que está a alterar drasticamente o equilíbrio ambiental desta área, zonas de floresta e os vales do Lis e do Lena praticamente engolidos por estruturas megalómanas de betão e  alcatrão.
Entretanto, muitas edificações típicas, características duma época, foram abandonadas umas, transformadas em blocos de apartamentos incaracterísticos, outras. 
Dir-se-á: alterações próprias da evolução das cidades das últimas décadas. Está claro, mas teremos que nos render tão dramaticamente à ocupação dos terrenos com tão grande impacto ambiental?


Além disso, também é verdade que, a nós, os que vivem a cidade desde há mais de 30 anos, começam-nos a faltar muitas referências desses tempos passados. 
Só por isso, de vez em quando, vou deixando aqui algumas reportagens das quintas e vivendas/vilas que marcaram a Leiria de outra era. 
Saudosismo?
Talvez!
(Copyright ©as-nunes)
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Friday, December 03, 2010

Leiria: A Judiaria em reconversão


o













(clic)(**)Um excerto do "Mapa de Leiria no século XV, assinalando-se a área da Judiaria (Segundo Atlas de Cidades Medievais Portuguesas - 1990)" .
A zona limitada pelo traço mais negro e forte é a do morro do Castelo de Leiria. O Norte geográfico corresponde à linha vertical deste mapa.
A Praça de S. Martinho corresponde à actual Praça Rodrigues Lobo.


O Centro Histórico de Leiria tem vindo a ser restaurado. Paulatinamente, as iniciativas de diversa origem já estão a começar a mostrar resultados.
Agora são as ruínas de uma edificação classificada, na zona da antiga Judiaria(**), que estão a ser reconvertidas.
O edifício, cuja construção se iniciou, vai ser implantado, precisamente, na zona da antiga Judiaria(v.mapa acima, ampliado por clic), local onde terá funcionado genesim, onde os judeus se dedicavam exclusivamente ao estudo bíblico e também Beth Hamidrashonde as crianças aprenderiam a ler e escrever a Lei de Moisés.
Acabou por não se optar pelo aproveitamento da estrutura base do edifício que aqui estava localizado. Vai ser contruído, neste local, à Rua Direita, entre a Travessa da Tipografia e a Rua Manuel António Rodrigues, um edifício de raiz a que se lhe vai dar o uso de Centro Cívico.
Para começar as intenções, analisando-as do ponto de vista meramente pragmático, são boas, digamos mesmo, excelentes(*). Que não nos falte o engenho financeiro e, de acordo com o projecto, teremos ali um pólo de excepcional utilidade tendo em vista a revitalização desta carismática zona de Leiria.


Pelo que me parece, da observação do projecto, acabou por prevalecer a tese de se construir segundo as linhas arquitectónicas modernas em desprimor da preservação dum modelo mais consentâneo com a história daquele local.
Será a melhor opção?...
-
(*) Siga-se este link do site da Câmara Municipal de Leiria.
(**) Ver, ampliando-se por clic, o local exacto, no excerto do "Mapa de Leiria no século XV, assinalando-se a área da Judiaria (Segundo Atlas de Cidades Medievais Portuguesas - 1990)
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Nota: Leia-se "A Comuna Judaica de Leiria, das Origens à Expulsão",  ed. Campo da Comunicação, 2010, vol. 2 da Série monográfica «Alberto Benveniste» , Saul António Gomes. (ver aqui)

HISTORIAODOR DE LEIRIA

Saul António Gomes recebe Prémio por obra sobre a Comuna Judaica de Leiria
O historiador leiriense Saúl António Gomes recebeu ontem o Prémio Augusto Botelho da Costa Veiga, pela obra 'A Comuna Judaica de Leiria. Das Origens à Expulsão'
O historiador leiriense Saúl António Gomes recebeu ontem o Prémio Augusto Botelho da Costa Veiga, pela obra 'A Comuna Judaica de Leiria. Das Origens à Expulsão'. A entrega decorreu durante uma sessão que assinalou os 290 anos da Academia Portuguesa da História (APH), uma instituição que, como afirma a historiadora Manuela Mendonça, pretende ser "o garante de que todos os portugueses conheçam a sua história".
Manuela Mendonça, que está à frente da Academia, propõe a abertura da instituição "a todos os que fazem história, e que esta faça parte do quotidiano dos portugueses". "Há que combater aquela ideia que chegou aos nossos dias que as academias são locais onde se reúnem uns velhinhos que vão dormir a sesta", disse. A historiadora quer que a Academia seja "o garante dos grandes saberes em História, mas também uma instituição aberta ao presente em que todos os que fazem história sejam bem vindos e fomente uma história que seja levada a todos os portugueses".
Manuela Mendonça afirmou que a missão da APH "deve ser a de levar a história a todos" e exemplificou com o novo plano editorial da instituição. "Livros com uma leitura clara sem uma grande carga de notas de erudição", disse.
A efeméride foi assinalada numa sessão solene ontem no Palácio dos Lilases, ao Lumiar.

Diário de Leiria de 9 Dezembro de 2010
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Friday, October 29, 2010

Presidencialismo? Parlamentarismo?... Entretanto chove em Portugal!

Barreira - Leiria
Largo do Papa (Largo 5 de Outubro de 1910) - Leiria
Largo da Sé/Rua D. Sancho I - Leiria
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O ambiente carregado, cidade quase deserta, o que é do movimento intenso do Centro Histórico de Leiria de outros tempos?, pensamentos sombrios, o País suspenso da aprovação ou não do Orçamento do Estado para 2011, os portugueses a verem a vida a andar para trás...
passei pelo blogue do Clube dos Pensadores e desabafei:

Bom dia, de chuva!...água por todos os lados...Até as sondagens auguram água, muita água. Que nos vai chegar até ao nariz. E vamos lá a ver como é que todo este cenário esquisito em que somos personagens participantes vai acabar.
Não acredito na solução de se entregar o Governo ao PSD sozinho. Até pelos antecedentes que já experimentámos. Também não vejo solução num outro Governo que possa sair da actual ou da expectável composição da Assembleia da República.
Ou seja, estou descrente do actual sistema político!
Que fazer, então?
Um Governo de iniciativa Presidencial com o compromisso dos partidos políticos com assento na Assembleia da República o não derrubarem sem a aquiescência do PR? Ou seja, os partidos concederiam uma moratória até às próximas eleições, a um Governo de Salvação Nacional. Seguir-se-iam, num prazo máximo de 2 anos:
1- Revisão da Constituição;
2- Eleições gerais.
Está visto que chegados a esta fase da vida colectiva, em que inevitavelmente, têm que ser tomadas medidas drásticas, anti-populares, todos nós estrebuchamos, reclamamos, já estamos a prepararmo-nos para ir para a rua, parece não haver solução política que possa sair desta ou duma próxima (com os mesmos actores) Assembleia da República.
É a minha opinião, disse.(com ligeira adaptação)
António Nunes

Sexta-feira, Outubro 29, 2010 11:15:00 AM

Lírico, estarão a pensar!
Talvez!...
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Sunday, October 17, 2010

Leiria: olhares da Rua do Lis

Em tempos de desassossego (ai o Orçamento do Estado 2011, ai os nossos orçamentos familiares, ai a nossa vidinha a andar para trás!...) o que nos vale é que ainda há quem encare a situação com toda a calma (autêntica, espero eu!...)


(Vale a pena ampliar - clic)
Por estes dias de Outubro...
Instantâneos olhados desde a Rua do Lis.
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A semana começa com notícias indiciadoras das convulsões sociais que por aí vêm, por causa do Orçamento do Estado para 2011!...
Vai ser um desassossego, está-se mesmo a ver!...
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Wednesday, July 07, 2010

Leiria - O cantar dos melros e outros passarões



Para ouvir o som ambiente do vídeo, desligue a música da barra lateral


Em Leiria, um dia dos princípios de Julho de 2010, na Rua Pero Alvito, na encosta Nascente do Castelo de Leiria.
Ia a caminho da zona do Largo da Sé, no âmago da Zona Histórica de Leiria. Percurso feito a pé (que até é um bom pretexto para me mexer um pouco) para não ser obrigado a pagar um dos muitos estacionamentos PAGOS no centro de Leiria ou a arriscar-me a pagar uma multa de trânsito. 
É que, nestes conturbados tempos de crise generalizada, deixei o carro perto do Estádio Dr. Magalhães Pessoa e meti pés ao caminho.
Este célebre Estádio, bem se sabe, acabou por se transformar num Elefante Branco, de muito difícil digestão para este nosso Município. Mas não é por isso que a Empresa Municipal que o gere não continua a pagar chorudos honorários às sucessivas Administrações que por lá vão passando.
Viria a propósito falar-se do péssimo relacionamento que tem havido entre o Clube de Futebol mais representativo da cidade de Leiria e da região, a União de Leiria, e a empresa Municipal que gere este Estádio. De qualquer modo não se justificará, talvez, entrar, nesta oportunidade, em muitos pormenores (já divulgados na imprensa regional) com o escândalo que é, todos os anos, se travar uma luta de interesses, entre a União Desportiva de Leiria e a Câmara Municipal. 
A questão é que a Câmara, através da "Leirisport", lá vai cedendo à força do Futebol profissional...da UDL!  E das ameaças dos seus dirigentes de que levarão o clube para outras paragens, como foi o caso de Torres Novas, no presente ano. Parece que, como seria de imaginar, estão em vias de um entendimento. 
Aliás, seria muito pouco digno, que os jogos de futebol da União Desportiva de Leiria, viessem a ter lugar fora da cidade que lhe deu o nome e a sua própria história.
O problema básico, porém, é que a pretexto do último Euro2004, se avançou, imprudentemente, para um brutal investimento neste Estádio, que, como se sabe, sobrecarregou por muitas décadas, o Orçamento do Município de Leiria, ainda que, encapotadamente, por interposta entidade com figura jurídica independente.
O que, em bom rigor, constitui um grave problema financeiro que, todos nós, Munícipes de Leiria, é que teremos de pagar. Já o estamos a fazer. E assim continuaremos por muitos anos...


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Tuesday, March 16, 2010

LEIRIA - Rua Christiano Cruz

Esta rua localiza-se na área da antiga Azinhaga da Encosta do Castelo de Leiria, junto ao seu Portão Norte. Nesta zona da cidade quase não circula vivalma. A Rua Christiano Cruz é praticamente invisível aos visitantes e mesmo muito dos locais não sabem sequer da sua existência. E é pena porque se reporta a um personagem aqui nascido e cuja biografia é digna de realce e merecia maior destaque na história de Leiria.
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De facto,

Christiano Cruz
 Senhoras à mesa do café, 1919, pintura a óleo sobre cartão, Centro de Arte Moderna, FCG
 Catálogo /Retrospectiva (1892-1951) - Maria Raquel Florentino
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Christiano CRUZ (1892-1951)

Christiano Alfredo Sheppard Cruz nasce em 1892, em Leiria. Morre em 1951, na cidade de Silva Porto, em Angola. 

Autodidacta, o seu único guia artístico era o desenho da imprensa, e contou com um ambiente pró-republicano no seio familiar, que o preparou para a sátira anti-monárquica e para a crítica social. Posteriormente, distancia-se dela operando uma verdadeira ruptura estética dentro da caricatura.

Ficou conhecido como um “romancista do traço”. Colocava as suas faculdades ao serviço da Ideia e criou aquela que ficou designada como “caricatura impessoal”. Esta pretendia afastar-se da ênfase meramente política, usando o humor como filosofia e atacando os costumes de uma identidade social portuguesa, que conhecia como mesquinha, provinciana e castradora. Sentia uma verdadeira obrigação de educar o povo através da arte, sabendo que a resolução da crise não se situava meramente na esfera política mas numa questão de filosofia existencial, de mentalidades. Dentro da caricatura política, tinha admiração apenas por Rafael Bordalo Pinheiro, fazendo os possíveis para se distanciar e criticar todos os seguidores do mestre. “Não façamos crítica, façamos Arte!”, ficou conhecida como uma das grandes máximas, assim como a sua guerra aos “bota-de-elástico”.

Estes pressupostos correspondem à sua primeira fase, que vai de 1909 até cerca de 1913, considerada como a fase de estilização, em que se liberta dos barroquismos iniciais e desenvolve um traço por vezes quase abstracto. Um novo código de humor só podia ser servido por um novo código plástico e pela criação de uma nova forma de percepção que fosse mais rápida. Era nesta lógica que construía as suas personagens ultra-sintéticas, que se aproximam do moderno cartoon. Neste período, é considerado um verdadeiro “mago da ironia”, e defende que a melhor forma de atingir os seus objectivos é não atacar os indivíduos mas as situações, articulando de uma forma coerente título e legenda.

Em 1910, muda-se para Lisboa, onde irá prosseguir estudos em Medicina Veterinária, juntando-se a Stuart de Carvalhais, Jorge Barradas, Pacheko, António Soares e Almada Negreiros, com quem funda a Sociedade dos Humoristas Portugueses.

Na segunda fase, a partir de 1913, o traço evolui para um certo expressionismo, próximo da corrente austríaca do mesmo período, nomeadamente Schiele e Kokoschka. Afasta-se dos humoristas, embora continue a apresentar-se nas exposições dos modernistas.

Na terceira fase, afasta-se da caricatura e envereda pela pintura. Senhoras à Mesa de Café, de 1919, revela a face de um mundanismo que criticava, num jogo de sedução e crueldade. A violência do tratamento do suporte, a definição brutal dos contornos das figuras e o cinismo que transmitem entram em consonância com as cores frias aplicadas no vestuário, que, por sua vez, contrasta com o vermelho dos lábios, concedendo-nos a ilusão da vida nocturna e de todos os seus cenários de engano. As regras da representação tornam-se instáveis nos ângulos agudos e oblíquos, como se verifica na mesa e nos elegantes copos. Retoma aqui o tema mítico do eterno feminino cruel, nas poses refinadas destas mulheres, com frios objectos de ourivesaria, em atitudes de conspiração e intriga. A mão de uma das personagens assemelha-se a uma pistola, tornando-a cúmplice de crimes premeditados, que se festejam com sorrisos maliciosos. Esta pintura é uma das últimas que realizará.

Em 1916 é incorporado no exército e, no ano seguinte, no Corpo Expedicionário Português, para combater na Primeira Guerra Mundial. Neste período, até à altura do Armistício, em 1918, quando regressa a Portugal, realiza uma série de croquis que relatam cenas de guerra(*), tratados com uma espontaneidade instantânea, como se fossem feitos por um repórter de guerra.

Em 1919, inicia-se uma outra fase: parte para Lourenço Marques, Moçambique, começa aí a sua retirada do meio artístico e exerce a sua profissão de médico veterinário. Este abandono definitivo da carreira artística, que ficou de certa forma mitificado, revela uma atitude que não deixará de se revestir de uma consciência moderna, de um desencantado niilismo.
CARLA MENDES
In
http://www.camjap.gulbenkian.pt/l1/ar%7BD2B27546-03B0-4185-A5F8-0B5ACC3E203C%7D/c%7B342aa3de-ff90-4fdc-9aa3-0f1d507b3275%7D/m1/T1.aspx
(*) Ver: Rodrigues, António, 1956-2008-  Christiano Cruz - Cenas de Guerra
» Consultar também, Gonçalves, Alda - Toponímia de Leiria - 2005, JFL (pág. 141)

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Thursday, December 03, 2009

Leiria - Rua D. Sancho I



A caminho do Largo da Sé. Não consegui passar. Um vizinho deixou-me entrar na sua casa e fui sair mais à frente.


Já era tempo da Câmara Municipal de Leiria resolver este problema de escoamento das águas pluviais do Adro da Sé.
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Saturday, July 04, 2009

Trânsito e obras no Centro Histórico de Leiria


Está cada vez mais na Ordem do Dia, o "falar-se", às vezes "escrever-se", sobre o Centro Histórico de Leiria.
Como já ém várias oportunidades tem aqui sido referido, a confirmar o que os olhos dos visitantes detectam com a maior das facilidades, a zona demarcada do Centro Histórico de Leiria está a necessitar de urgentes obras de requalificação de edifícios.
A Câmara Municipal lançou recentemente um Edital em que coloca à disposição dos proprietários verbas para obras nos seus prédios. O problema é que a maior parte dos proprietários não está a conseguir ser motivado para lançar mãos a essas obras por vários motivos: 1) As rendas são baixíssimas; 2) as despesas que ficarão a seu cargo, mesmo com subsídios são elevadas para as suas posses; 3) O Centro Comercial ao ar livre, que já foi nesta zona, está a atravessar momentos de grande sufoco, particularmente pela profileração de Grandes superfícies comerciais nas zonas limítrofes desta área, algumas nos limites da própria cidade; 4) A falta de disciplina na exploração das zonas de diversão nocturna, nomeadamente Bares é flagrante, a ponto de tornar a vida dos residentes de certas áreas num autêntico inferno; 5) A restauração do edifício da antiga Associação de Futebol de Leiria, situado no Largo da Sé está-se a transformar num autêntico folhetim de cordel, com capítulos infindáveis: começa-se e interrompe-se já uma quantidade de vezes. E lá está aquele estendal de serapilheira a destoar completamente da dignidade que qualquer Largo de Sé, em qualquer cidade do País, faz questão em manter perfeitamente apresentável. Não fosse a Sé, propriamente dita e o edifício "Pharmácia Paiva" e este Largo bem poderia ser riscado do mapa da cidade.
Entretanto, parece que, com a colaboração duma marca de tintas famosa, se está a pintar a fachada dum edifício, a meio da Rua Direita, a "Rua Barão de Viamonte", esta que se vê a iniciar, na foto.
E vai de interromper o trânsito, pouco diga-se, mas que ainda assim ajudava a manter alguma vida naquela artéria. Claro que esta questão do trânsito tem de ser muito bem analisada, tendo em conta os interesses dos habitantes, dos comerciantes e dos visitantes.
Só se lamenta é a utilização de critérios diversificados para a instalação de tapumes para efeitos de obras. Se vier ao caso, poderei contar-vos um caso caricato, que contrasta completamente com o que actualmente se está a passar para justificar a interrupção do trânsito.
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Já agora, a título de curiosidade:
Esta "Rua Direita" tem o nome oficial de "Rua Barão de Viamonte", pessoa importante do séc. XIX. O caso é que na reunião da Càmara de 20.2.1861 a Vereação aplicou ao Barão de Viamonte a "multa marcada no nº 28º da Portaria de 7.3.1837" por não ter mandado retirar os entulhos resultantes das obras da sua casa que estavam na rua por onde devia passar a Procissão do Senhor dos Passos.
Sem mais comentários, tendo em conta outros casos passados em Leiria.
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Wednesday, June 03, 2009

Ruas e Largos de Leiria


(clic para melhor observar os pormenores)
Exposição de fotografia em plena Rua D. Dinis, na zona histórica de Leiria. Ao fundo podemos vislumbrar a Praça Rodrigues Lobo.
A presente fotografia é tirada desde o Largo Paio Guterres, o mais conhecido como Largo do Gato Preto, de cuja história já aqui deixei um ensaio, alguns posts abaixo. A organização deste evento, que contou com vários repórteres profissionais esteve a cargo da novel Associação Cultural de Leiria, dinamizada pelo meu recém jovem amigo, Eduardo, possuidor de um espírito de iniciativa invejável. Assim o ajudemos e teremos, em pouco tempo, uma zona histórica palco de variadíssimas acções de dinamização cultural focando aquela área. Estão na forja, actividades relacionadas com Eça de Queirós e Acácio de Paiva. Quer uma quer outra terão a colaboração de personalidades conhecedoras da vida e obra destes dois célebres escritores indelevelmente ligados a Leiria.
Este ângulo é um dos mais pintados de Leiria. Daí o facto de a casa que se pode ver recentemente recuperada, ser conhecidíssima como a "Casa dos Pintores". Aqui vai passar a funcionar um Centro de Arqueologia. A parede mestra que se destaca sobre o lado direito da foto pertence à também celebérrima antiga "Pensão Gato Preto", actualmente "Gato Preto Caffé", de cujo nome derivou o nome popular deste Largo, o Largo do Gato Preto.
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