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Tuesday, February 19, 2013

Mudança de rumo para o Globo?

Arredores de Leiria:
A indicação oficial é que estamos numa travessa, ou seja, está-se a fazer a ligação entre duas ruas.
Afinal, quase no final da "travessa" depara-se com esta sinalética popular.
Ou seja, só se consegue avançar às arrecuas ...

"A democracia burguesa, constituindo um grande progresso histórico em relação à Idade Média, continua a ser - e não pode deixar de o ser no regime capitalista – uma democracia estreita, mutilada, falsa, hipócrita, um paraíso para os ricos, uma armadilha e um logro para os explorados, para os pobres" (Lenine).

Pelo caminho que a crise económica e social vai a trilhar bem se pode questionar se o capitalismo pode ser a melhor forma de organizar a sociedade em que vivemos. A verdade nua e crua é que, à medida que a crise se aprofunda os grandes capitalistas tentam a todo o custo recompor o seu sistema de lucro. E eis-nos chegado ao extremo de nem as classes médias escaparem à sua ofensiva brutal.

Estará a humanidade a ser confrontada com uma reformulação urgente do conceito de democracia tendo em conta a necessidade de se reorganizar politicamente?

Parece que já não podem subsistir dúvidas quanto à necessidade de se aprofundar um debate mundial que possa controlar o rumo que se prefigura em direção a um conflito social generalizado!... 
...
@as-nunes

Sunday, January 20, 2013

Noite de temporal com luz à moda antiga


Em Leiria, noite caseira, à luz das velas e da lanterna, o temporal à solta ...

ENGRENAGEM

O dia nasce limpo e luminoso
Mas não te iludas, homem!
A natureza já não é contigo.
Daqui a nada toca no quartel,
Apita a fábrica de meias,
Abre a mercearia,
E só então tu poderás saber
Se poderás viver,
E se chove,
E se neva,
E se o adeus da tua Eva
Te comove.


Miguel Torga
Cântico do Homem
Ed. autor - Coimbra, Janeiro de 1974

Tuesday, October 23, 2012

Há vida para além do Défice

Andreus, Cumeira, freguesia da Barreira - Leiria - Portugal. Uma das freguesias a agrupar, segundo o projeto de reorganização administrativa do Governo.

Mesmo que a figueira não volte a florir,
mesmo que não haja
nem sequer um cacho nos ramos da vinha,
mesmo que as oliveiras mintam
na sua promessa de fruto
e que os campos não voltem a produzir
nem sequer um cardo;
mesmo até que o galo tenha morrido
e se achem vazios todos os estábulos,
mesmo assim, eu quero exultar no Senhor,
achar a minha alegria no Deus que me salva.
O Senhor meu Deus é a minha força,
aquele que torna os meus pés iguais aos das gazelas
e me faz caminhar até às alturas.


HABACUC
Profeta caldeu que terá vivido no séc. VII ou VI a.C.. O texto que
aqui se apresenta é conhecido como O Cântico de Habacuc.

in
Os Herdeiros do Vento
Antologia Apócrifa
JOAQUIM PESSOA
bib. az-biblioteca #1831

Thursday, October 18, 2012

E agora, povo?! ...



E agora, povo?!

Esta melia em tom dulcíssono
Postada ali mesmo em frente
Está bonita cores de outono
Com seu ar cândido e dolente

Que bom seria vivermos
Esse teu contentamento
E o nosso rumo invertermos
Neste lamentável momento

Há aqueles que se  amofinam
Por agora atentarmos em ti
Presunçosos mas não atinam
Estás muito bem assim, aí

Este Orçamento está péssimo
Sem qualquer margem de dúvida
Precisamos desse empréstimo
Mais uma tranche para a Dívida

-

Se o povo é quem mais ordena
Porque é que deixámos que os “novos senhores”
Tenham feito o que quiseram
E ainda lhes cresceu tempo
Para se porem ao fresco?

E agora, povo?! …
@as-nunes

Friday, August 17, 2012

Porque será que o sol quando nasce não é para todos?! ...


Porquê?
O sol nasce
e não é para todos?!
Como é possível?! ...

Porquê?! 
Será uma inevitabilidade?!
Teremos que nos conformar?!
Não há mesmo nada a fazer?! 

Porquê?
O homem cria riqueza
e não há forma de a distribuir
duma forma mais equitativa?

Porquê?
Será que estamos condenados
a viver sob constante domínio
dos senhores do mundo?

Porquê?
Quem nomeou esses senhores do mundo?
Que princípios inquestionáveis
regem a natureza, o homem?

Porquê? ...
Porquê assim e não duma forma 
mais justa e solidária?

Porquê? 
Porquê?
Porquê? ...


Pois. 
Entretanto, enquanto alguns de nós andam a pensar na resposta a esta  interrogação la palissiana, os senhores do mundo aumentam os seus pecúlios exponencialmente, cada segundo que passa.

E na mesma proporção mas negativamente os pobres de todo o mundo são mais e mais pobres...

Porquê?! ...
@as-nunes

Monday, July 09, 2012

Em contraciclo


sentir a presença de Deus
olhar o milagre permanente
da vida, do belo, 
um momento que não mente...


ao contrário
os mentirosos
vendidos
traidores
dos anseios
do povo 


que se sente
acossado
desiludido
ultrajado
humilhado
ofendido...


nada é eterno
nada é imutável
muito menos o governo
todo ele contestável detestável


ps.: 
ed. revista (os 2 últimos versos)
-
O título deste registo foi corrigido para a versão do Novo Acordo Ortográfico. Penso eu que estou a interpretar devidamente as regras em vigor.
@as-nunes 

Wednesday, July 04, 2012

Partícula de DEUS...

Eu em 30/6/2012. O que sou, quem sou, uma partícula ínfima do Nada ou do Tudo?


04-07-2012 09:25 - Cientistas anunciam descoberta que pode ser "partícula de Deus"
Os físicos têm tentado encontrar provas da existência do bosão de Higgs(*) há quase 50 anos e, nos últimos dias, poderão ter finalmente encontrado a partícula, anunciaram hoje os cientistas, explicando que a nova partícula tem características de massa e comportamento previstas para o bosão de Higgs.

O bosão de Higgs combina duas forças da natureza e mostra que são, de facto, aspectos diferentes de uma mesma força maior, sendo que esta partícula é a responsável pela existência de massa nas partículas elementares.

Os resultados das pesquisas, que não são conclusivos, porque os cientistas preferem manter a prudência, são hoje explicados numa conferência de imprensa.




Jornal de Negócios - Lusa


(*) http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%B3son_de_Higgs
-
nota do momento: realidade, terra, lourais, barreira, trabalho, ies, fisco...raios partam o fisco!
momento posterior ao anterior: Peço desculpa pela mudança do título deste verbete, já com ele no éter!...  (ensaios é no que dá!...)
@as-nunes 

Saturday, June 16, 2012

Não me deixes, "DISPERSAMENTE..." !...




Nem eu sei 
o porquê
deste apelo
apelo a quem?
a mim?
provavelmente
mas porquê?
Por quê?!


Não consigo precisar
concretamente
conscientemente
o que me vai na mente


Prenúncios 
de algo 
que me poderá
levar 
a desanimar
a desistir 
deste meu amigo
há tantos anos comigo
dia a dia
sem horário
solitário


Tantos amigos
tantos temas 
dispersos
dispersivos
intempestivos


O que se passa comigo?
será melancolia?
será pré-nostalgia?


Não me deixes!...
dispersamente!...
Nós até gostamos um do outro
e temos amigos que gostam de nós
apesar de sermos como somos!


@as-nunes

  If you go away, Frank Sinatra
-
  Ray Charles
-
  Barbra Streisand
@as-nunes

Monday, June 11, 2012

PORTUGAL, um país fascinante...


É só para deixar aqui um sinal de vida deste lado!...
Bom dia a todos quantos por aqui aportarem, sejam bem vindos a este porto, momentaneamente quase deserto...

Acostei uns dias para manutenção e aprovisionamento de víveres e munições para a viagem que já vai em quase 7 anos.

Vou continuar a dedicar boa parte da minha atenção e ação a participar no "Clube dos Pensadores" 
(hoje, por exemplo, talvez não seja má ideia, passar um serão, em direto, a participar num debate com Odete Santos. Ainda se lembram desta senhora? Penso que valerá a pena escutá-la, num momento tão indefinido como é o presente.)

Tenho conta aberta no "Facebook" mas vou continuar a privilegiar este blogue, aliás, o mundo visto pela blogosfera. Também estou no Google + .

A janela aberta pelos blogues tem um ângulo de abordagem da vida do Homem em sociedade muito mais consistente...

Não posso deixar passar em claro a grande estima e consideração que tenho recebido de muitos bloguistas amigos, aos quais vou tentando corresponder da melhor forma de que sou capaz. Se mais não faço é porque de todo não consigo e com muita pena minha.
Os comentários aos nossos "posts" continuam a ser o bálsamo que nos anima a prosseguir com entusiasmo, quase diariamente, a escrever novos registos.


Continuo a ler  "COMO PORTUGAL MUDOU O MUNDO"...

Tuesday, April 24, 2012

Já não há cravos vermelhos?


Esperanças loucas...


Ideias vividas
frente a oportunistas,
Lutas sofridas,
traidores e egoístas. 


Valeu a pena?
Tudo vale a pena
se a esperança não morrer.


Sigamos o sete-estrelo,
façamo-nos ao mar.
Não aos velhos do Restelo,
acomodados, a sofismar.


Financeiros sem ideais!
Mais parecendo
chacais!


Portugal não pode viver
remetido a oeste
sempre a temer,
como se fosse este,
- irremediavelmente -
o nosso Fado!...


Cravos encarnados,
onde estão?!
Espezinhados, 
pelo chão!...


NÃO!...
Os ideais de Abril
não podem acabar assim, 
Não podem, NÃO!...


também pode seguir o link dum meu comentário no blogue do Agostinho (aqui)
@as-nunes

Friday, April 06, 2012

Divagações; em vésperas de mais uma Páscoa

 Terra lavrada à espera de chuva, um choupal, malmequeres e a estrada dos campos do lis, na zona de Moinhos da Barosa - Leiria.
 Só porque ali estava um freixo a sobrepôr-se ao resto da paisagem . campos do lis.
Campos do Lis, na borda da estrada Leiria- Amor, a EN 349-1

Comemorar a Páscoa?
Continuar a comemorar?!
Comemorar o quê?
A morte de Jesus?!
Jesus foi um homem
Morreu há dois mil anos
Quantos homens nasceram
e morreram
entretanto?!...

Quem os salvou?
Que foi da vida desses homens?
Quem somos nós?
Quem (o quê?) determina
o Futuro?

O que é o Futuro?!...

Entretanto...
Observe-se a esplendorosa
maravilha que é a Natureza!
Quem a criou?
Que energia há no Cosmos?

O princípio e o fim
das coisas
visíveis
e invisíveis

Circuito fechado...
Quem coordena 
os seus ciclos?
A Santíssima Trindade?

Como o Homem é pequenino, minúsculo, ínfimo, medroso, não quer morrer sabendo que vai morrer, inexoravelmente, o seu corpo vai transformar-se em pó...em nada!...

Faz hoje 1979 anos que Jesus Cristo morreu crucificado numa cruz!...
E depois?!...

Os homens continuam 
a crucificar-se uns aos outros
incessantemente
implacavelmente
os mais fortes
a devorarem os mais fracos.

Porquê?!
Porque terá de ser assim?
Para todo o sempre?!
Porquê?!...

Wednesday, April 04, 2012

A bordo do pensamento...



Lá ao fundo
em baixo?
em cima? 
A Lua em quarto crescente
quase lua cheia


O pensamento
está na lua?
Está a bordo?
A bordo da Terra?
Entre nuvens?
Ao sabor do vento?
Nas ondas hertzianas?
Dimensão informe?


Teve princípio?
Tem fim?
Alcançará o infinito?


Que dimensão contém?
Que recetores o captarão?
Terá eco?
...
Alô Terra!
Que é do Norte?


Mayday! Mayday!...
@as-nunes 

Monday, April 02, 2012

As árvores, os pássaros, a primavera...e o outono?!



Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores 
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se.
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração



Ruy Belo

Algumas proposições com pássaros e árvores que o poeta remata com uma referência ao coração pp 81 "Na Margem da Alegria" poemas escolhidos por Manuel Gusmão ed. Assírio & Alvim - 2011

Thursday, March 15, 2012

Se calhar Hipócrates tem mesmo razão


É assim.
Ele há dias.
Hoje, 
neste momento,
sinto-me assim,
assim como?!
...
@as-nunes  

Friday, March 02, 2012

Ensaio sobre a ausência ...

“ A tua ausência ainda pernoita……
nos escombros de uma fotografia”
....................................................................................Al   Berto


Gosto de escrever. Gosto de ler. Preciso de ler e de escrever.
Abri esta folha, olhei-a, à primeira vista, um branco imaculado.
Sentei-me à secretária com a ideia de escrever, o quê não sabia, tinha adotado o mote daquela metáfora de Al Berto, acima exposta, sem ter a certeza de que conseguiria escrever algo de novo, algo de útil e diferente, que resultasse do trato natural e espontâneo da minha imaginação. Imaginação, o que é a imaginação, em que é que se irá materializar a minha imaginação ao ser transposta para letra de forma sobre esta folha de papel que tenho aqui à minha frente? É verdade que ela já está a começar a aparecer com uns salpicos gráficos, mas para que servirá essa mancha assestada na claridade?

O dia esteve esplendoroso, já é de madrugada, mentalmente em frente diviso uma paisagem vistosa, a Natureza em pleno vigor, o rio Lis aqui perto a caminhar de mansinho, pelo vale, entre montes sobranceiros, mal acabou de nascer. Lá vai ele ao encontro do Lena, na Barosa. Ali se juntam, há quantos séculos não sabemos, há muitos, que não os conseguimos contar, ninguém ainda conseguiu contar. Muitos já o cantaram e continuam a cantar. Maravilhosamente. Bucolicamente. Romanticamente.

Leiria e o seu castelo e o seu rio trazem-me à ideia ausências várias. A  ausência do tempo em que não senti a sua alma, ao mesmo tempo a ausência de terras de Viriato, da minha ancestralidade, da minha juventude.

Poderei afirmar categoricamente que uma grande parte do que me vai ocorrendo na vida está fixado em fotografia. Fotografia no sentido literal do termo. Quantas fotografias não me olham com ares misteriosos, às vezes desconfiados, outras como que a querer falar comigo, enquanto eu as olho e ao olhá-las sou assaltado por sentimentos os mais dispersos, contraditórios e, em muitos casos, a apelar intensamente a certas  ausências, algumas de que mal me tenho apercebido no nevoeiro infernal com que o tempo vai desfocando o tempo.

Ausência…
Pernoitar..
Escombros..






A ausência de alguém corporeamente registado numa fotografia? Já deteriorada pelo correr do tempo?

Essa ausência, o que é?!
Ainda é noite!
Até quando  vai continuar eu mesmo?
Não amanhece…

Thursday, November 17, 2011

IC36 prestes a entrar em serviço, após uma razia de floresta, nivelamento de montes e vales, poluição visual

Vale de Lobos e Telheiro; floresta e monte esventrados, habitações em equilíbrio instável
O IC36, obras imponentes, em pleno predomínio sobre a paisagem, ali era uma floresta de carvalhos, sobreiros e pinhal. Paciência? Alcatrão e betão antes de tudo? A qualquer preço? Em nome do desenvolvimento, do futuro? Futuro sem floresta?  Ali podia ter-se feito um túnel, evitava-se a destruição do meio ambiente à superfície,  respirava-se outro ar.
Não é só casmurrice da minha parte, ou será? Já nem sei que dizer, os jovens é que deviam ser chamados a dar a sua opinião acerca do que querem para o futuro do planeta.
Vale do Lis visto do Vidigal, via externa, as folhas outonais dos plátanos da quinta de S. Venâncio a acenarem-nos, de longe, como que a dizerem-nos adeus.
Inicio a subida da rua dos Lourais. Olá, anima-te, mostram-se-me estas rosas de todos os anos, dum meu vizinho.
O IC36 aqui mesmo ao pé, vai passar a ser um instante para se ir para a A1, A8, A17, A19. Viva, viva, tantas vias para andarmos de automóvel por aí fora, que importam as árvores, o Vale do Lis, o vale do Lena, os Pousos cortado ao meio?
-
18nov - 10h30 - últimas notícias do IC36:
Já se circula no IC36. Uma obra monumental, esperemos que não venha a ser mais uma obra faraónica. O impacte ambiental é tremendo. Ver-se o vale do Lis e as encostas dos dois lados - Nascente com o Vidigal, S. Romão , Pousos e Poente, Vale de Lobos e Telheiro -, de cima daquele viaduto de quase um quilómetro, como que a sobrevoar  com os pés assentes nas suas sapatas gigantescas, toda aquela zona mítica, parece que muitas e românticas referências de Leiria, se esfumaram em menos de um fósforo.
O Castelo de Leiria e o Santuário de N. Sra. da Encarnação a recortarem-se no horizonte, uma nova silhueta que ficou ao nosso alcance...

Que venha a ser para o bem das novas gerações... 

Wednesday, November 16, 2011

Uma geração traída?!...


Recebi este emocionante texto por e-mail e lembrei-me de o passar aqui...
A pensar, também, nos adolescentes de agora... e nos seus avós 
(os que já morreram e os que ainda estão vivos e lúcidos e activos, a lutar ombro a ombro com os seus filhos e netos por uma vida digna de ser vivida).


in Público de 20 de Outubro de 2011 (acabei por constatar)
@as-nunes

Sunday, May 29, 2011

Simplesmente... Ámen?!

Este entardecer, deste Domingo, está muito sossegado. É certo que não tenho visto televisão nem ouvido rádio. De qualquer modo - contradições do momento -  tenho a sensação de que algo de grave paira no ar.


Que diabo de altura para andarmos a ver quem vai para o poleiro da Governação de Portugal! 
O que é que fará correr tantos galos, mesmo em tempo de vacas magras? Será o sentido do dever de cidadania para dar o seu contributo de modo a sermos capazes de ultrapassar esta malfadada crise em que o país está envolvido? 
Como todos nós, portugueses, gostaríamos de acreditar!...


À minha frente, em linha de vista, através duma janela da minha casa - computador à mão, livros (muitos para pouco tempo disponível), muitos papeis, muitas contas - uma vista encaixilhada na paisagem deslumbrante do vale do Lis e da Sra. do Monte, Leiria (Barreira/Cortes-Leiria): caixilhos da janela a recortarem a paisagem, uma roseira com algumas rosas brancas, os telhados das casas de alguns vizinhos, por cima, aquela bonita grevílea robusta, matizada com as suas flores douradas, a copa dum sobreiro, de vários castanheiros, para lá do rio, floresta de pinheiros e eucaliptos, tempo em bonança, não bole uma palhinha, céu em limbos, tarde a cair, silêncio entrecortado pelo cantar das aves.


Que silêncio!
Até fico desconfiado...


Bom Domingo a todos, queria desejar-vos muita Paz, harmonia na vida dos homens, em consonância com este momento de impressionante (contrastante?!) calma na Natureza!
Momentos, a vida é feita de momentos, como seria fabuloso se a vida só fosse feita de momentos como este!...
Bem sei que este é um momento raro, excepcional, que outros mais sérios estão a ser vividos, um pouco por todo o lado, com toda a certeza, cheios de ansiedade, de incertezas, de tramóias, de violência.
Porque é que o homem não consegue conciliar a sua existência com mais harmonia, mais solidariedade, menos ganância, menos vaidade?Porquê?
Dá vontade de dizer 
- que me interessa a política, que me interessam as intrigas mesquinhas que se tecem a toda a hora e instante, por esse país fora, por esse mundo devassado?


A História diz-nos que não somos capazes de ser diferentes. Que somos assim, tal como nos mostramos. Egoístas e em constante luta pela supremacia sobre os nossos semelhantes!...


É pena que tenhamos que dizer, conformados,
Ámen
@as-nunes


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